Educação e Cultura

Estudante de escola pública fica em 1º lugar em Direito na UFBA

Morador da comunidade Caixa D’Água, no bairro Boca do Rio, em Salvador, o jovem Lívio Pereira, 18 anos, surpreendeu a todos ao ser aprovado em 1º lugar no curso de Direito da Universidade Federal da Bahia (Ufba) após divulgação do resultado final do Sisu. De acordo com Lívio, que foi aluno do Colégio Estadual Anísio Teixeira, no mesmo bairro, os professores tiveram grande importância tanto no teste vocacional quando nos estudos, durante o último ano do ensino médio. Mesmo levado a primeira colocação, o jovem garante que não era um ótimo aluno, mas decidiu se dedicar após ter sido reprovado no ano passado, na tentativa de entrar em Psicologia. Filho da empregada domestica Cristina Pereira e do motorista de ônibus Antonio Carlos, negro e morador da periferia de Salvador, o rapaz é o primeiro da família a ter acesso a uma universidade pública. Em 2016, Lívio prestou vestibular para Psicologia, mas não foi aprovado. Ele atribui o revés à falta de tempo para se dedicar completamente aos estudos. “Eu fazia o último ano de manhã, estudava de tarde e fazia um cursinho pré-vestibular à noite, no Barbalho”, explica. O curso, que na época custava R$ 150, era garantido por uma boa fatia do salário do pai. Foi no ano seguinte que ele resolveu “se isolar” para estudar. O jovem saiu de Salvador e foi passar a maior parte do tempo na Ilha de Itaparica, em uma casa de veraneio da família. Como dessa vez o jovem estava sozinho, sem ajuda do cursinho, criou uma técnica diferenciada que funcionava à base de frases de incentivo. Às 6h30, por exemplo, o despertador tocava com as mensagens: “Dormir não lhe torna advogado” ou “Acorda, espartano!” Meia hora depois era hora do café. Das 7h às 12h, o jovem estudava os conteúdos relacionados à área de Humanas. No almoço, Lívio ainda assistia vídeo-aulas para “não perder o foco”. De tarde era a hora de estudar Exatas e, de noite, era hora de se debruçar sobre a resolução de questões.“Fiz todas as provas do Enem, (aplicadas) de 2009 até 2017”, conta orgulhoso. Depois, ele começou a resolver provas de universidades de outras regiões, como a Fuvest (São Paulo). Outra técnica adotada pelo rapaz foi criar um “cantinho do guerreiro”, um espaço que era usado apenas como local de estudos. No rolê, Lívio é conhecido como Coroa. O apelido, segundo ele, veio por causa do seu gosto por cantores antigos, como Renato Russo, da Legião Urbana.Quando percebeu que tinha sido aprovado, o jovem contou que correu pela casa gritando, fazendo com que seus pais pensassem que ele tivesse ficado maluco. Ser advogado, no entanto, é plano para o futuro. O que o estudante pretende agora é atualizar as séries que curte na Netflix. Fonte:  Berimbau Noticias

 

 

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