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Ministério da Saúde alerta para risco de reintrodução do sarampo no Brasil durante Copa do Mundo

Pasta reforça vacinação de viajantes brasileiros com destino aos Estados Unidos, Canadá e México, países que enfrentam surtos ativos da doença

O Ministério da Saúde emitiu um alerta sobre o risco iminente de reintrodução e disseminação do sarampo no Brasil em razão do intenso fluxo de viajantes para a Copa do Mundo de 2026. A competição será realizada entre os dias 11 de junho e 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México — países que atualmente enfrentam surtos ativos da doença.

Em nota técnica, a pasta destacou o cenário de alta transmissibilidade do sarampo nas Américas e o grande número de brasileiros que devem viajar para os países-sede do Mundial, além de outras nações com circulação ativa do vírus.

“Há um risco iminente de reintrodução do sarampo no Brasil após o retorno desses viajantes ou da chegada de estrangeiros, porventura infectados”, alertou o ministério.

A recomendação principal é que os viajantes atualizem a caderneta de vacinação antes do embarque. Segundo o documento, a imunização e a vigilância nos serviços de saúde são as principais estratégias para evitar novos surtos no país.

“A vacinação oportuna de viajantes e a vigilância sensível dos serviços de saúde são as únicas estratégias capazes de mitigar o risco de reintrodução do vírus”, informou o Departamento do Programa Nacional de Imunizações.

O Ministério da Saúde orienta que turistas brasileiros que pretendem acompanhar a Copa do Mundo verifiquem a situação vacinal com antecedência.

Entre as principais recomendações estão:

  • Atualizar a caderneta com a vacina Tríplice Viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola;
  • Tomar a vacina pelo menos 15 dias antes da viagem;
  • Procurar atendimento médico ao retornar ao Brasil em caso de febre e manchas vermelhas pelo corpo, informando o histórico de viagem.

Para crianças de 6 a 11 meses e 29 dias, a orientação é tomar a chamada “dose zero” ao menos 15 dias antes do embarque.

Já crianças a partir de 12 meses e adultos de até 29 anos precisam estar com o esquema de duas doses completo. Para adultos de 30 a 59 anos, a recomendação é de pelo menos uma dose.

O Ministério da Saúde informou que o sarampo segue com ampla circulação global. Em 2025, foram confirmados 248.394 casos em todo o mundo.

Na região das Américas, os números preocupam. O Canadá registrou 5.062 casos em 2025 e 124 em 2026. O México saiu de sete casos em 2024 para 6.152 em 2025 e já soma 1.190 casos em janeiro deste ano.

Nos Estados Unidos, foram notificados 2.144 casos em 2025 e 721 apenas em janeiro de 2026.

Os surtos nos três países levaram à perda do status da região das Américas como zona livre da transmissão endêmica do sarampo em novembro de 2025.

Apesar do cenário internacional, o Brasil mantém o status de país livre da circulação endêmica do vírus do sarampo, conquistado em 2024.

Em 2025, o país confirmou 38 casos, sendo que 94,7% ocorreram em pessoas sem histórico vacinal.

Em 2026, até março, dois casos foram confirmados no país: uma criança de seis meses em São Paulo, com histórico de viagem à Bolívia, e uma jovem de 22 anos no Rio de Janeiro, ambos não vacinados.

“O cenário epidemiológico atual reforça a vulnerabilidade do Brasil frente à reintrodução do vírus”, destacou o ministério.

Para o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, o risco é real.

“Justamente no momento em que nós recuperamos o status de zona livre do sarampo, estamos vivenciando um grande surto nas Américas”, afirmou.

Segundo ele, o Brasil precisa manter a cobertura vacinal e intensificar a vigilância epidemiológica.

“A chance de alguém entrar com sarampo aqui é grande”, alertou.

Por Lala / 23/04/2026 às 15:00

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