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Morre Mário Mukeka, aos 67 anos, artista, artesão e pirata da Bahia

Como compositor, escreveu música sobre os cornos e a Bahia como um lugar prosaico e encantador. Escreveu o livro 'Pirataria no Mar da Bahia' e foi tema do documentário 'Mário Mukeka, o Irrecuperável', dirigido por Marcela Bellas

Entre tantas ocupações e desocupações, Mário Cortizo Andion, 67 anos, gostava mesmo de se definir como “pirata”.

Mergulhador profissional, artesão, compositor e músico, morreu no último domingo (7), de infarto. Chegou a ser levado às pressas para o Hospital Menandro de Farias, na Estrada do Coco, mas não resistiu. Seu corpo será cremado nesta segunda-feira (8).

Nascido no Rio de Janeiro, Mário Mukeka se mudou para Bahia ainda na infância, com a família. Ganhou o apelido definitivo quando, no auge da repressão nos anos de chumbo da Ditadura Militar, foi preso por adicionar maconha na receita da iguaria à base de peixe. Eram os anos de desbunde e de uma juventude movida pela contracultura.  

“Eu usei a maconha como tempero. Comemos. Ninguém se incomodou em nada. Quando estava fumando um morrão, a polícia chegou e prendeu todo mundo. Levaram a gente para a delegacia de Jogos e Costumes”, contava o artista.

Se dizia pirata por viver mergulhando nos mares da Baía de Todos os Santos atrás de tesouros do Brasil colônia. “Aqui era um local muito procurado em viagens vindas da Holanda, Portugal, Espanha. Tem muito ouro escondido por aqui. Eu vivo de procurar esses tesouros pra tentar ficar rico”, brincava. 

Como compositor, escreveu música sobre os cornos, as putas e a Bahia como um lugar prosaico e encantador. Escreveu o livro ‘Pirataria no Mar da Bahia’ e foi tema do documentário ‘Mário Mukeka, o Irrecuperável’, dirigido por Marcela Bellas. Foi entrevistado por Jô Soares, na TV Globo, e por Gerônimo Santana para contar seus causos homéricos. 

“A Bahia acaba de perder uma das figuras mais ESPETACULARES de toda a história. O pirata dos 7 mários, mergulhador, cantor, compositor, escultor, caçador de tesouros, preso 13 vezes por causa de uma mukeka de maconha e protetor que me alertava para os ataques da KGB”, escreveu o jornalista, escritor e amigo Franciel Cruz.

Fonte: Metro1

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