Presidenciável Romeu Zema critica auxílios e fala em “geração de imprestáveis” ao defender revisões no Bolsa Família

Pré-candidato à Presidência afirmou que pretende rever regras do programa e condicionar benefício à aceitação de emprego formal.
O pré-candidato à Presidência da República e governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), disse que pretende endurecer as regras de programas de transferência de renda e condicionar o recebimento dos benefícios à aceitação de empregos formais.
Embora tenha negado a intenção de acabar com as assistências sociais, Zema criticou o modelo atual, apontando o que classificou como aumento da dependência dos cidadãos em relação aos auxílios do governo.
Pré-candidato ao Planalto, ele afirmou que quer rever o Bolsa Família para evitar uma “geração de imprestáveis”.
Em entrevista ao programa Canal Livre, da Band, Zema disse que existem vagas com carteira assinada disponíveis, mas que “marmajões” preferem ficar em casa, usando redes sociais, assistindo a Netflix e recebendo auxílio do governo.
“Programas sociais são importantíssimos. Nós vamos manter para quem precisa. Mas sabemos que tem muita fraude que eu vou combater e também não vou pagar auxílio do governo para os marmanjões. Estamos criando no Brasil uma geração de imprestáveis. Eu vou em cidades do interior do Brasil inteiro e vejo a mesma coisa: vagas com carteira assinada e marmanjão em casa, na internet, nas redes sociais, no Netflix, que prefere receber o auxílio governamental”, afirmou em entrevista ao programa Canal Livre.
Ao ser questionado se o beneficiário precisará aceitar um emprego para não perder o acesso ao programa, Zema respondeu que a pessoa receberá uma lista de propostas de trabalho e só poderá recusar uma delas. Ele também afirmou que há atualmente um “incentivo à informalidade”, favorecendo que beneficiários façam “bicos” para complementar a renda sem deixar o auxílio.
“Hoje nós temos um incentivo a essa informalidade, à perpetuação desta situação, em que o pai já viveu assim e o filho está aprendendo a viver. Ele ganha com os bicos mais R$ 1.000, não tem nenhum compromisso com horário e aprendizado. Daqui a 10 ou 15 anos, ele continuará totalmente desqualificado como está hoje”, disse.
No final de semana, o ex-governador respondeu a críticas nas redes após dizer, em entrevista ao podcast Inteligência Ltda, na última sexta-feira, que crianças poderiam “ajudar” em trabalhos considerados “mais simples”. Após a repercussão, Zema afirmou que defende “dar oportunidades a adolescentes” e pediu para que críticos “parem com a hipocrisia”.
“Educação e trabalho digno são o que formam caráter, disciplina e futuro. No Brasil, isso já é permitido a partir dos 14 anos como aprendiz, mas precisamos ampliar essas oportunidades com proteção, sem atrapalhar a escola, como já acontece em muitos países desenvolvidos. Agora, vamos falar a realidade aqui: milhões de jovens já trabalham hoje na informalidade, sem regra e nenhuma proteção”, disse na gravação.
Por Kaylan Anibal / 04/05/2026 às 12:42
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil






