Ubaíra pode se tornar polo mundial de terras raras com investimento de até R$ 3,6 bilhões na Bahia

Projeto da Brazilian Rare Earths prevê mina em Ubaíra e Jiquiriçá e unidade industrial em Camaçari, fortalecendo mineração estratégica no estado
A cidade de Ubaíra, no Vale do Jiquiriçá, desponta como uma das protagonistas de um projeto bilionário que pode colocar a Bahia no mapa global da mineração estratégica. A empresa australiana Brazilian Rare Earths planeja investir até R$ 3,6 bilhões no estado com o Projeto Monte Alto, voltado à exploração e beneficiamento de terras raras.
A iniciativa prevê a implantação de uma mina e de uma planta de concentração mineral em Ubaíra e Jiquiriçá, além da instalação de uma unidade industrial em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, onde será feita a separação dos óxidos minerais.
Com teor médio superior a 15% de TREO (Óxidos Totais de Terras Raras), o depósito mineral da região é considerado um dos mais promissores do mundo. O índice elevado pode colocar o projeto entre os maiores já registrados globalmente.
Além da concentração, a composição mineral também é estratégica. O local possui elementos como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, matérias-primas fundamentais para a fabricação de motores elétricos, turbinas eólicas, satélites, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa.
A área explorada faz parte da província mineral conhecida como Rocha da Rocha, no Recôncavo Sul, com extensão de cerca de 160 quilômetros, entre Ubaíra, Jiquiriçá e Jequié.
Em entrevista à revista Brasil Mineral, o presidente da BRE no Brasil, Renato Gonzaga, afirmou que a empresa controla mais de 200 direitos minerários na região, abrangendo aproximadamente 300 mil hectares.
Hoje, o Vale do Jiquiriçá e a região de Jequié concentram os principais estudos e descobertas do projeto, com resultados considerados acima da média global.

Segundo informações divulgadas pelo jornal A Tarde, a operação será implantada em etapas. Na primeira fase, a empresa deve produzir o concentrado mineral próximo à mina. Em um segundo momento, a proposta é avançar na cadeia produtiva com a separação dos elementos em território baiano, no polo industrial de Camaçari.
A estratégia busca evitar a exportação de matéria-prima bruta e agregar valor ao produto dentro do país, fortalecendo a indústria local, atraindo investimentos e ampliando a geração de empregos.
Para viabilizar a operação, a BRE firmou parceria com a empresa francesa Carester, especializada em refino e reciclagem de materiais ligados a terras raras. A companhia deve fornecer suporte tecnológico ao projeto.
Investimentos e próximos passos
A primeira fase do projeto prevê investimento inicial de aproximadamente R$ 600 milhões. Com a implantação completa, o aporte total pode chegar a R$ 3,6 bilhões.
Atualmente, a empresa desenvolve estudos técnicos que devem ser divulgados no terceiro trimestre de 2026. Paralelamente, uma planta piloto está em construção no Senai Cimatec, com previsão de início das operações em setembro.
O avanço da exploração já coloca a Bahia em posição de liderança nacional na pesquisa de terras raras. De acordo com a Companhia Baiana de Pesquisa Mineral, cerca de 40% das áreas de pesquisa desse tipo no Brasil estão localizadas no estado.
Em entrevista ao portal A Tarde, o diretor técnico da CBPM, Williame Cocentino, destacou que a Bahia tem potencial para se tornar um player importante no Brasil e no mundo.
Com a crescente demanda global por minerais estratégicos, impulsionada pela transição energética e pelo avanço tecnológico, cidades como Ubaíra passam a ganhar relevância internacional e podem abrir uma nova frente econômica baseada em inovação, indústria e mineração de alto valor agregado.
Por Lala / 27/04/2026 às 15:00
Terras raras. Foto: Camila Cunha / Serviço Geológico do Brasil






