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Cinco pacientes perdem a visão após cirurgias de catarata em Salvador

Unidade foi interditada e tem alvará suspenso; 38 pessoas relataram complicações após procedimentos gratuitos

Cinco pessoas perderam a visão após passarem por cirurgias de catarata realizadas na clínica Clivan, em Salvador. Os procedimentos eram gratuitos e ocorreram por meio de parceria com a Secretaria Municipal de Saúde. Na segunda-feira (2), a unidade, localizada na Avenida Anita Garibaldi, foi interditada.

Até a última atualização, 38 pacientes relataram complicações no pós-operatório, incluindo dores intensas, sangramento e perda de visão. Oito casos evoluíram para quadros mais graves. Cinco pacientes precisaram retirar o globo ocular após perderem completamente a visão do olho operado.

Entre as vítimas está o pedreiro aposentado Damário Antônio da Silva, de 75 anos. Ele passou por duas avaliações médicas antes da cirurgia, indicada devido à dificuldade para enxergar de perto.

“Eu já saí de lá com o olho doendo, nem conseguia abrir. No outro dia fui para a revisão e mandaram que eu fosse para o HGE (Hospital Geral do Estado). Lá fiquei sabendo que perdi a visão e que teria que retirar o globo ocular”, contou o idoso.

Além da perda da visão, Damário afirma que precisou arcar com medicamentos que ultrapassam R$ 200, sem receber auxílio financeiro da clínica.

Outra paciente afetada foi Maria Ribeiro, moradora de Acajutiba, cidade a cerca de 180 quilômetros da capital baiana. Ela também perdeu totalmente a visão e deverá passar pela retirada do globo ocular.

A filha da paciente afirmou que não houve suporte por parte da unidade de saúde. “Eles não foram encaminhados para o hospital pela clínica, nem acompanhados pela clínica”, disse.

A advogada Eveline Santos, que representa algumas vítimas, afirmou que a clínica poderá responder em diferentes esferas.

“Uma vez identificada a responsabilidade da clinica, é possível promover ações tanto na esfera administrativa, como também na esfera criminal, caso seja provado que houve crime, ou até mesmo a reparação civil através de uma ação indenizatória”, explicou.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que a clínica estava devidamente licenciada junto à vigilância sanitária, com alvará vigente. No entanto, diante das denúncias, adotou medidas cautelares:

  • Suspensão do alvará sanitário;
  • Interdição temporária dos serviços relacionados aos procedimentos investigados;
  • Abertura de processo administrativo sanitário para apuração das condições de funcionamento;
  • Notificação ao Ministério Público e ao Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb).

O Cremeb informou que realizou fiscalização na segunda-feira e que eventuais sanções só serão divulgadas após conclusão da análise técnica.

Em nota oficial, a clínica afirmou:

“A Clínica de Oftalmologia esclarece as informações relacionadas a intercorrências registradas no pós-operatório de cirurgias de catarata realizadas na última semana.

Ressaltamos que todos os protocolos clínicos, técnicos e de biossegurança foram rigorosamente seguidos, desde a avaliação pré-operatória até o acompanhamento pós-cirúrgico, em conformidade com as normas médicas vigentes.

A clínica realiza mais de 8 mil cirurgias por ano, mantendo um histórico sólido de segurança, qualidade e excelência, o que reforça o caráter pontual do episódio.

Reiteramos nosso compromisso com a saúde, o bem-estar e a transparência no atendimento aos pacientes, permanecendo à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais e assegurando que todos continuem sendo acompanhados de forma responsável e humanizada

A Clínica de Oftalmologia reafirma sua confiança nos seus profissionais, protocolos e na medicina responsável que sempre pautou sua trajetória.”

As investigações seguem em andamento para apurar as causas das complicações e eventuais responsabilidades.

Por Lala / 03/03/2026 às 14:30

Foto: Reprodução/TV Bahia

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