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Inadimplência bate recorde no Brasil e atinge 74,8 milhões de consumidores em abril

Levantamento da CNDL e do SPC Brasil mostra aumento no número de devedores e revela cenário de fragilidade financeira das famílias.

O número de brasileiros inadimplentes atingiu um novo recorde em abril, chegando a 74,82 milhões de pessoas, o equivalente a 44,7% da população adulta do país. Os dados são de um levantamento realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em parceria com o SPC Brasil.

De acordo com o estudo, houve crescimento de 0,81% no número de devedores em relação a março. Na comparação anual, o avanço foi ainda mais significativo, com alta de 9,25%, impulsionada principalmente pelo aumento de consumidores com dívidas em atraso entre quatro e cinco anos, faixa que registrou crescimento de 37,32%.

O presidente da CNDL, José César da Costa, avaliou que o cenário vai além de problemas individuais de gestão financeira. “O recorde de inadimplência no Brasil não é apenas um reflexo de má gestão individual, mas o sintoma de um equilíbrio financeiro extremamente frágil. Com o orçamento doméstico estrangulado pela inflação de itens básicos, as famílias operam no limite técnico de sua sobrevivência.”

Segundo o levantamento, cada inadimplente deve, em média, R$ 5.111,64 e possui pendências com cerca de 2,34 empresas. Além disso, 29,4% dos consumidores têm dívidas de até R$ 500, percentual que sobe para 41,75% quando considerados débitos de até R$ 1.000.

O volume de dívidas em atraso também apresentou crescimento. Entre março e abril, a alta foi de 1,94%. Já na comparação com o mesmo período do ano passado, o aumento chegou a 16,99%, ainda que ligeiramente abaixo do registrado no mês anterior.

A faixa etária com maior concentração de inadimplentes é a de 30 a 39 anos, que reúne 18,23 milhões de pessoas — o que representa 53,77% da população desse grupo. Regionalmente, o Norte lidera o crescimento anual, com alta de 10,48%, seguido pelo Sul (9,97%), Sudeste (8%), Centro-Oeste (6,66%) e Nordeste (6,52%).

Para o presidente da entidade, programas de renegociação de dívidas ainda não são suficientes para conter o problema. “Sem uma reforma que amplie a renda real, vivemos um ‘efeito porta giratória’: o cidadão limpa o nome hoje para se endividar amanhã, perpetuando um ciclo onde a quitação de uma dívida antiga é apenas o prelúdio de um novo atraso”, afirmou.

Por Lala Freitas / 13/05/2026 às 14:00

Dívidas ocupam espaço de outros gastos no orçamento doméstico — Foto: Legenda Endividamento das famílias. Pessoa fazendo conta. Calculadora. Imagem de Michal Jarmoluk por Pixabay

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