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Desenrola 2.0: veja quem pode participar e como renegociar dívidas

Nova edição começa nesta terça-feira (5) e terá duração de três meses para reduzir o endividamento

O governo federal anunciou nesta segunda-feira (4) uma nova edição do programa de renegociação de dívidas, o Desenrola 2.0. A adesão começa nesta terça-feira (5) e as medidas terão duração de três meses. A iniciativa é voltada a pessoas que recebem até cinco salários mínimos e busca reduzir o endividamento das famílias.

O programa é direcionado a brasileiros com dívidas no cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. A maior parte das dívidas é das famílias. Também estão previstas ações para estudantes, empreendedores e agricultores. O prazo de funcionamento será de 90 dias.

Podem participar pessoas com renda de até cinco salários mínimos e dívidas feitas até 31 de janeiro de 2026, com atraso entre 90 dias e dois anos. A renegociação ocorre por meio do pagamento dos atrasados com um novo empréstimo garantido pelo governo, com juros de até 1,99% ao mês. Os descontos variam de 30% a 90% do valor original, que não pode passar de R$ 15 mil. Após a renegociação, o nome do devedor será limpo automaticamente.

Os beneficiados terão o CPF bloqueado em plataformas de apostas por um ano. O trabalhador poderá usar até 20% do FGTS ou até R$ 1 mil, o que for maior, para pagar a dívida. A Caixa fará a transferência direta para o banco onde está o débito, garantindo o uso do recurso.

“É só importante — e a gente está chamando atenção — para que as pessoas façam as suas dívidas e não percam de vista as suas condições de pagamento. O que nós estamos aqui tentando corrigir, e já fizemos outras vezes, é que houve momentos singulares no Brasil. Este país vem se endividando há muito tempo; a Covid fez com que a sociedade se endividasse por necessidade mesmo. E há muita gente que, desde aquele tempo, ainda está enrolada”, diz o presidente Lula.

Estudantes do ensino superior com dívidas no Fies, atrasadas há mais de 90 dias, poderão renegociar com pagamento à vista e desconto de 12%. Inadimplentes inscritos no CadÚnico podem ter abatimento de até 99%. Micro e pequenos empresários que participam do Procred e do Pronampe terão melhores prazos e condições de pagamento.

O ministro da Fazenda estima que o novo Desenrola pode alcançar mais de 20 milhões de pessoas:

“As pessoas que têm essas dívidas bancárias devem ir às plataformas dos próprios bancos, que já estão todos alinhados e instruídos para fazer essa renegociação a partir de amanhã. Os grandes bancos e os bancos públicos estão preparados para que isso comece a funcionar. Não tem mais de uma faixa. Todo mundo que têm até cinco salários mínimos pode acessar com o mesmo padrão de desconto e com a mesma taxa de juros da operação refinanciada. A possibilidade de usar 20% do FGTS também está colocado”, explica Dario Durigan, ministro da Fazenda.

Para viabilizar o programa, será usado o FGO, Fundo Garantidor de Operações, com recursos públicos para garantir as operações aos bancos. O governo assume o pagamento em caso de inadimplência. O fundo, que hoje tem R$ 2 bilhões, pode receber entre R$ 5 bilhões e R$ 8 bilhões de valores esquecidos em bancos, além de um aporte de até R$ 5 bilhões.

Esta é a segunda edição do programa. A primeira ocorreu em 2023, mas teve alcance limitado. Em fevereiro de 2026, o endividamento das famílias atingiu recorde. Segundo o Banco Central, quase 30% da renda mensal está comprometida com dívidas.

Especialistas apontam que a nova edição pode ajudar a reduzir o endividamento no curto prazo, mas destacam a necessidade de mudanças estruturais para diminuir os juros. O aumento de gastos públicos pode influenciar a dívida e impactar as taxas, com efeito direto no orçamento de famílias e empresas.

“Apesar de bastante grande, foi bastante extensa a medida que o governo anunciou, mas o próprio fato de ser um Desenrola 2.0 mostra que a gente já teve uma versão original e que não resolveu o problema. Não resolve o problema estrutural, porque o problema estrutural está justamente no custo elevado com juros. A taxa de juros é muito alta, e o juro alto é um sintoma. O problema, a origem do problema, a causa, são contas públicas desequilibradas. Então, para termos juros mais baixos, precisamos, no fundo, endereçar o desequilíbrio fiscal. Só com isso a gente vai ter juros mais baixos, não só no curto prazo, mas também no médio e longo prazo. E isso, sim, vai contribuir para um menor endividamento das famílias”, afirma Gabriel Barros, economista-chefe da ARX Investimentos, ao Jornal Nacional.

Por Kaylan Anibal / 05/05/2026 às 06:36

Foto: Reprodução / Conselho Regional de Contabilidade do Maranhão

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