
A Anthropic, desenvolvedora por trás do Claude, criou discretamente um laboratório dedicado a pesquisas em biologia. A iniciativa representa uma expansão estratégica das ambições da companhia para além do fornecimento de ferramentas de IA, adentrando o campo da ciência farmacêutica.
Para Álvaro Machado Dias, especialista em IA e colunista da CNN Brasil, a decisão está ligada a um fenômeno de mercado: a comoditização dos tokens de inteligência artificial.
“A disputa em cima da diferença de qualidade [dos modelos de IA] é cada vez menor”, afirmou. “Consequentemente, as empresas estão buscando outras linhas de rentabilidade para justificar os valuations trilionários”.
Automatização de laboratórios farmacêuticos
De acordo com Machado, o objetivo central da Anthropic com o laboratório de biologia não é se tornar uma concorrente direta das grandes farmacêuticas. “O grande lance é automatizar os laboratórios farmacêuticos”, explicou.
A ideia seria utilizar o Claude para estruturar e operacionalizar processos dentro desses ambientes, aproximando a entrega da IA ao resultado final do setor. “Para que funcione mesmo, é preciso conhecimento real”, acrescentou, destacando que a transformação em curso é a passagem de uma empresa genérica para uma empresa altamente especializada em serviços específicos.
O movimento da Anthropic não é isolado. A OpenAI, desenvolvedora do ChatGPT, lançou uma plataforma voltada para trabalhos jurídicos, o chamado ChatGPT for Law.
Segundo o especialista, a ferramenta não configura um escritório de advocacia, mas realiza “uma parte relevante do trabalho”, reduzindo o número de horas faturáveis ao cliente. Isso altera a estrutura tradicional dos escritórios, que historicamente dependem de um grande volume de horas de estagiários e advogados iniciantes. Empresas que oferecem bases de dados jurídicas já estariam sendo impactadas por esse movimento, tornando-se progressivamente plugins dos grandes players de IA.
Risco para profissionais iniciantes e debate sobre regulação
Álvaro Machado Dias avalia que os profissionais mais vulneráveis à substituição pela IA são os que estão ingressando nas carreiras.
“Quem acaba terminando na mira da IA é quem está entrando nas profissões, porque não tem nem essa capacidade de assinar nada”, disse. A estratégia de diferenciação, segundo ele, passa pela responsabilização — ou seja, pela capacidade de assinar documentos e elaborar estratégias que transcendam o básico oferecido pelas ferramentas.
Sobre a regulação no Brasil, Machado mencionou o PL 2338, o Marco Legal da Inteligência Artificial, aprovado no Senado e em tramitação na Câmara, que classifica como alto risco o uso da IA em decisões como demissões.
Ele, no entanto, alertou contra proibições amplas: “Isso é como proibir o trator para as pessoas continuarem usando a enxada”. Para ele, o caminho mais adequado passa pelo esclarecimento da população sobre o uso dessas ferramentas e pela discussão sobre como tributar esse novo cenário.
Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas.
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