
Um perfume criado por inteligência artificial a partir de memórias reais e uma experiência em que o visitante se torna o primeiro membro de uma família digital, cuja árvore genealógica cresce ao longo da exposição, estão entre as obras que mesclam tecnologia, ciência e arte na exposição do Festival Internacional de Linguagem Eletrônica (FILE), que ocupa o Centro Cultural Fiesp até 11 de outubro.
Em plena Avenida Paulista, o endereço recebe neste ano a exposição “A Intercriatividade”, com entrada gratuita. A mostra convida o público a olhar para a criatividade como um processo compartilhado entre humanos, sistemas inteligentes, organismos vivos e ambientes tecnológicos.
Ao todo, a mostra reúne cerca de 160 obras de artistas de 48 países, em que o visitante tem acesso a instalações interativas e imersivas e experiências de realidade virtual e aumentada. Também fazem parte do festival jogos, animações, música, vídeos, cinema e arte urbana.
“A Intercriatividade não busca respostas definitivas, mas convida o público a reconhecer, no interior dos sistemas mais complexos, aquilo que permanece em aberto, indeterminado e vivo”, afirma a equipe curatorial composta por Ricardo Barreto, Paula Perissinotto, Clarissa Vidotto e Victor Sardenberg.
As obras foram selecionadas ao longo de um processo anual de pesquisa e curadoria que envolve diálogos com artistas, festivais, universidades e centros de pesquisa de diferentes partes do mundo.
Obras em destaque
Entre os destaques do FILE estão obras que falam sobre diferentes formas de interação entre inteligência artificial, memória, tecnologia e as percepções humanas.
Na obra “Algorithmic Perfumery”, é possível descrever memórias e referências, que são então interpretadas pela IA para criar um perfume personalizado. A ideia de criar uma composição olfativa única é do artista e cineasta Frederik Duerinck, da Holanda.
Já em “Ancestors”, de Hanna Haaslahti, radicada na Finlândia, cada visitante se torna o primeiro membro de uma família digital, cujos descendentes são criados pela IA e passam a integrar uma árvore genealógica coletiva. A relação entre memória e tecnologia também aparece em “A Walled City”, de Weidi Zhang, baseada nos EUA. A obra transforma fotos enviadas pelos visitantes em uma cidade virtual em expansão.
Já “Transmissions into the Void”, que mistura luz e som, propõe uma experiência imersiva sobre a fragilidade e a deterioração das informações ao longo do tempo. A autoria é do designer e artista indiano Dennis Peter.
Além das galerias, a área externa do centro cultural recebe até 30 de agosto a obra “EchoVision”, que usa realidade mista para simular a percepção de mundo dos morcegos.
Esta é a 26ª edição do festival, que foi criado em 2000, antes da popularização das redes sociais, dos smartphones e da IA.
FILE São Paulo 2026 – A Intercriatividade
Até 11 de outubro de 2026 / Centro Cultural FIESP – Galeria de Arte e Galeria de Arte Digital; Av. Paulista, 1.313 (em frente à estação Trianon-Masp do metrô) / Horário de funcionamento: Galeria de Arte, de terça a domingo, das 10h às 20h; Galeria de Arte Digital, todos os dias, das 19h às 6h / Entrada gratuita / Mais informações no site.
Fonte: Matéria Original






