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Operação contra PCC prende Deolane Bezerra e bloqueia R$ 27 milhões

Influenciadora foi alvo da Operação Vérnix, que investiga movimentações financeiras atribuídas à facção criminosa e bloqueou R$ 27 milhões em bens.

A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa na manhã desta quinta-feira (21) durante a Operação Vérnix, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e pela Polícia Civil. A ação investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Segundo a investigação, Deolane teria recebido valores ligados à facção criminosa por meio de uma empresa de transportes apontada como braço financeiro da organização.

A Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões em nome da influenciadora. De acordo com os investigadores, o valor apresenta indícios de lavagem de dinheiro e origem não comprovada.

A operação também teve mandados expedidos contra integrantes ligados ao alto escalão da facção, incluindo Marco Herbas Camacho, conhecido como Marcola. Como ele já está preso, a nova ordem de prisão preventiva será apenas comunicada ao sistema penitenciário.

Entre os alvos também estão Alejandro Camacho, irmão de Marcola; Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha do criminoso; Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, também sobrinho; e Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado como operador financeiro da organização criminosa.

Ao todo, foram expedidos seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão.

De acordo com O GLOBO, Deolane passou as últimas semanas em Roma, na Itália, e chegou a ter o nome incluído na lista de Difusão Vermelha da Interpol. Ela retornou ao Brasil na quarta-feira. Agentes cumpriram mandados de busca e apreensão na casa da influenciadora, em Barueri, e em outros endereços ligados a ela.

Também foram alvo da operação o influenciador Giliard Vidal dos Santos, considerado filho de criação de Deolane, e um contador ligado ao grupo investigado.

Investigação aponta uso de transportadora para lavar dinheiro

A investigação apura um esquema de lavagem de dinheiro baseado em uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, apontada como controlada pela cúpula do PCC.

Segundo os investigadores, Everton “Player” aparecia em mensagens interceptadas orientando a distribuição de recursos da empresa e indicando contas para destino do dinheiro.

Paloma Camacho é suspeita de atuar na Espanha intermediando negócios da família, enquanto Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho estaria na Bolívia e seria destinatário de parte dos valores investigados.

Marcola e Alejandro estão presos na Penitenciária Federal de Brasília.

A Justiça também determinou o bloqueio de 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões, além de R$ 357,5 milhões em ativos financeiros ligados aos investigados.

As investigações começaram em 2019 após a apreensão de bilhetes e manuscritos com presos na Penitenciária II de Presidente Venceslau. O material deu origem a três inquéritos sucessivos.

O primeiro identificou ordens internas da facção e menções a ataques contra servidores públicos. O segundo aprofundou a ligação da transportadora com o grupo criminoso.

Já em 2021, a Operação Lado a Lado apontou movimentações financeiras incompatíveis, crescimento patrimonial sem comprovação econômica e uso da empresa como estrutura de lavagem de dinheiro do PCC.

Durante a operação, a polícia apreendeu o celular de Ciro Cesar Lemos, apontado como operador central do esquema. O aparelho revelou detalhes sobre movimentações financeiras da empresa Lopes Lemos Transportes, também chamada Lado a Lado Transportes.

A partir desse material surgiu uma nova frente investigativa ligada a conexões financeiras com Deolane Bezerra.

Segundo os investigadores, Ciro comprava caminhões, movimentava recursos da cúpula do PCC, executava ordens de Marcola e Alejandro e administrava patrimônio em nome deles.

No celular apreendido, a polícia encontrou imagens de depósitos favorecendo contas de Deolane Bezerra e Everton de Souza. Ciro Cesar Lemos e a esposa estão foragidos.

Polícia aponta depósitos fracionados e movimentações incompatíveis

Segundo o inquérito, a investigação identificou movimentações incompatíveis com a renda formal declarada pela influenciadora, incluindo circulação de valores milionários, recebimentos sem origem esclarecida e compra de bens de alto padrão.

Os investigadores afirmam que a projeção pública e a atividade empresarial formal eram usadas como “camadas de aparente legalidade” para dificultar a identificação da origem dos recursos.

O cruzamento de provas apreendidas com relatórios financeiros levou a polícia a apontar Deolane como recebedora de dinheiro proveniente do PCC. Parte das movimentações ocorria por meio de depósitos em espécie feitos a partir do caixa da facção, segundo a investigação.

Entre 2018 e 2021, Deolane recebeu R$ 1.067.505 em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil, prática conhecida como “smurfing”, usada para dificultar rastreamento financeiro.

A polícia afirma ainda que Everton “Player” indicava contas da influenciadora para “fechamentos” mensais do esquema.

As investigações também apontam quase 50 depósitos realizados em duas empresas ligadas a Deolane, somando R$ 716 mil. Os valores partiram de uma empresa que se apresenta como banco de crédito e cujo responsável, segundo os investigadores, recebe cerca de um salário mínimo mensal.

A análise bancária não identificou pagamentos compatíveis com os supostos créditos mencionados nas transferências. Para a polícia, isso indica ocultação de recursos ligados ao PCC.

A investigação também afirma não ter encontrado prestação de serviços jurídicos que justificasse os valores recebidos pela influenciadora.

Por Kaylan Anibal / 21/05/2026 às 07:32

Foto: Reprodução / Redes Sociais

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