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Empresa oficializa fim da escala 6×1 em todas as unidades e reduz jornada para até 40 horas semanais

Acordo firmado com sindicatos e Ministério do Trabalho antecede debate no Congresso sobre redução da carga horária sem corte salarial

A mineradora Vale assinou um acordo coletivo que oficializa o fim da escala 6×1 em todas as unidades da empresa no país. O documento, firmado nesta quinta-feira (7), também estabelece limite de até 40 horas semanais de trabalho e reforça o modelo de revezamento entre funcionários.

A assinatura ocorreu em Minas Gerais e reuniu representantes da Superintendência Regional do Trabalho, dirigentes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), sindicatos e executivos da empresa. Apesar de ter sido formalizado no estado mineiro, o acordo terá validade nacional.

Segundo o superintendente regional do Trabalho em Minas Gerais, Carlos Calazans, a medida foi construída em conjunto com entidades sindicais e mediada pelo Ministério do Trabalho.

“Mais de 100 mil empregados celebram o acordo em todas as unidades da empresa. Nenhum trabalhador vai trabalhar mais que 40 horas semanais”, afirmou.

A Vale já utilizava escalas reduzidas em parte de suas operações, mas o novo acordo formaliza a prática e amplia a discussão para empresas terceirizadas ligadas à mineradora.

“A adesão sai na frente, antes de ter uma legislação promulgada sobre isso”, destacou o superintendente.

O diretor de Relações Trabalhistas da Vale, João Franceschini, ressaltou a importância do diálogo entre trabalhadores e empresa durante a negociação.

“Quero agradecer a superintendência e o sindicato por promoverem um diálogo permanente entre a empresa e os trabalhadores e pelo fortalecimento da negociação coletiva, que é um grande ganho para empresa e trabalhadores”, comentou.

O presidente da CUT Minas, Jairo Nogueira, avaliou que o acordo pode influenciar outras empresas brasileiras a adotarem medidas semelhantes antes mesmo de uma definição nacional sobre o tema.

“A nossa luta vai ser no Congresso, para que isso aconteça, mas o exemplo da Vale vai servir para outras empresas avançarem a nível de Brasil. Queremos que a redução da carga horária seja no país todo e sem redução do salário. Isso proporciona não só qualidade de vida para o trabalhador, como também diminui a rotatividade de profissionais nas empresas, em especial dos mais jovens”, afirmou.

Atualmente, a legislação trabalhista brasileira permite jornada de até 44 horas semanais, além do repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos.

O presidente do Sindicato Metabase de Itabira e Região e membro conselheiro da Vale Brasil, André Viana Madeira, afirmou que o acordo fortalece o poder de negociação coletiva e pode gerar impactos em outros setores econômicos.

“Esse acordo mostra a força negocial. Nós precisamos fazer esse instrumento, que tem força negocial, funcionar para os trabalhadores. É isso que estamos fazendo”, disse.

Ele também relacionou a redução da jornada à melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores.

“O contexto mundial do trabalho hoje exige maior qualidade de vida para o trabalhador. A segurança do emprego não passa só por uma renda mínima, mas por um conjunto de ações, benefícios e práticas em que o trabalhador seja, de fato, respeitado. O tempo e a jornada de trabalho são fatores centrais para a saúde mental e física”, declarou.

Segundo André Madeira, o próximo passo será ampliar a discussão sobre a escala de trabalho junto às empresas terceirizadas que prestam serviços à mineradora.

“A gente está colocando isso no papel porque agora a nossa missão é difundir para as terceirizações. As empresas têm datas-bases e acordos diferentes, e muitas vezes os sindicatos também são outros. Então é preciso trabalhar essa missão aos poucos, com os sindicatos de origem e com as vagas que vão abrir”, explicou.

O acordo foi firmado em meio às discussões no Congresso Nacional sobre o fim da escala 6×1. Em abril, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Legislativo o Projeto de Lei 1838/26, que propõe reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, garantir dois dias consecutivos de descanso remunerado e proibir redução salarial.

Além do projeto do governo federal, propostas de emenda à Constituição também tramitam na Câmara dos Deputados. Entre elas, está a PEC apresentada pela deputada Erika Hilton, que prevê o fim da escala 6×1, e outra proposta do deputado Reginaldo Lopes, que trata da redução gradual da jornada semanal de trabalho.

Por Lala Freitas / 11/05/2026 às 15:00

Jairo Nogueira afirmou que a iniciativa da empresa antecede a decisão federal e pode estimular outras companhias a seguirem o mesmo caminho Jair Amaral/EM/D.A Press

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