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Félix Mendonça Júnior discute crise do cacau com Geraldo Alckmin e pede suspensão do regime de importações

Deputado baiano alertou para queda brusca no preço da arroba do cacau e impacto sobre produtores da Bahia e do Pará.

O deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT), presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Lavoura Cacaueira do Congresso Nacional, se reuniu nesta quarta-feira (4), em Brasília, com o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSD), para discutir a crise enfrentada pelos produtores de cacau no Brasil.

Durante a audiência, o parlamentar solicitou a suspensão preventiva do regime especial de importação conhecido como drawback para o cacau. O mecanismo permite a importação da amêndoa com suspensão de tributos federais para posterior processamento e reexportação. Segundo o deputado, na prática, o instrumento tem provocado distorções no mercado interno ao ampliar estoques e pressionar os preços pagos aos produtores brasileiros.

De acordo com Félix Mendonça Júnior, a arroba do cacau, que chegou a ser vendida por cerca de R$ 1.200 em julho de 2025, caiu para aproximadamente R$ 230 no início de 2026, gerando forte impacto econômico, principalmente para pequenos e médios produtores da Bahia e do Pará.

“O que estamos vendo é uma queda vertiginosa de preços, que desestrutura completamente o planejamento das famílias produtoras. São milhares de pequenos agricultores que dependem do cacau para sobreviver e que são fundamentais para proteger a Mata Atlântica no sul da Bahia, por meio do sistema cabruca de cultivo”, afirmou o parlamentar.

Dados do Ministério do Desenvolvimento apontam que, no acumulado de 12 meses até agosto de 2025, o cacau foi o segundo produto mais importado pelo regime drawback, somando US$ 441,6 milhões, o que representou mais de 99% das importações da amêndoa no período. Durante a reunião, Geraldo Alckmin afirmou que irá avaliar a solicitação apresentada pelo deputado.

Preocupação com trabalho análogo à escravidão

Outro ponto levantado pelo parlamentar foi a origem de parte do cacau importado pelo Brasil. Segundo ele, grande parte da produção vem de países africanos como Costa do Marfim, Gana, Nigéria e Camarões, responsáveis por cerca de 65% da produção mundial, mas que enfrentam denúncias internacionais relacionadas ao uso de trabalho infantil e trabalho análogo à escravidão.

Relatórios de organizações internacionais indicam que milhões de crianças trabalham na produção de cacau nessas regiões, muitas vezes em condições precárias e sem acesso à educação.

“Não podemos admitir que o produtor brasileiro, que cumpre rigorosamente a legislação ambiental e trabalhista, seja penalizado por uma concorrência desleal de países onde há denúncias graves de exploração humana. O Brasil precisa proteger sua produção e também defender princípios éticos no comércio internacional”, declarou Félix Mendonça Júnior.

O deputado também é autor de dois projetos de lei (PL 3717/2016 e PL 5072/2016) que propõem a proibição da importação de cacau e derivados provenientes de regiões onde haja comprovação de trabalho infantil ou análogo à escravidão.

Por Ana Almeida / 04/03/2026 às 20:15

Imagem: divulgação

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