AgiBank liderou concessão de empréstimos consignados a beneficiários mortos, diz presidente do INSS à CPMI

O presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Gilberto Waller Júnior, afirmou que o AgiBank foi a instituição financeira que mais concedeu empréstimos consignados a aposentados e pensionistas já falecidos. A declaração foi feita durante depoimento à CPMI do INSS, na quinta-feira (5), em resposta a questionamentos do relator da comissão, o deputado Alfredo Gaspar (União-AL).
Segundo Waller, foram identificados cerca de 2 mil empréstimos concedidos de forma irregular. O relator questionou se, diante da gravidade do caso, o INSS havia suspendido o acordo de cooperação técnica com o banco. O presidente do instituto confirmou que o acordo chegou a ser suspenso, mas revelou que um novo termo foi firmado há cerca de 20 dias.
Durante a oitiva, Alfredo Gaspar voltou a criticar a permanência da instituição no sistema previdenciário. “O senhor acha que uma instituição financeira que busca conceder empréstimo consignado a gente morta tem condições de permanecer com um acordo de cooperação técnica com o INSS?”, questionou.
Em resposta, Waller explicou que uma apuração interna identificou falhas técnicas no sistema, que permitiam o acesso ao cadastro de pessoas falecidas por meio de login e senha de instituições financeiras, sem a exigência de biometria.
“O que foi apresentado pelo AgiBank é que esses empréstimos foram feitos com login e senha e provavelmente alguém continuou utilizando a ferramenta do banco e realizou as operações”, afirmou o presidente do INSS.
A CPMI do INSS investiga possíveis falhas nos sistemas de concessão de benefícios, além de vazamento de dados e práticas abusivas envolvendo instituições financeiras e segurados da Previdência Social. O colegiado é presidido pelo senador Carlos Viana (Podemos-MG) e tem como objetivo identificar responsabilidades e propor medidas para reforçar a segurança dos dados e a transparência no crédito consignado.
Por Alinne Souza / 08/02/2026 às 18:46
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