Anvisa aprova novas regras para venda e cultivo de cannabis

Venda em farmácias de manipulação
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou, nesta quarta-feira (28), novas regras que ampliam o acesso de pacientes a medicamentos à base de cannabis, marcando um avanço significativo no tratamento com cannabis medicinal no Brasil e abrindo caminho para um mercado mais acessível e nacionalizado.
Venda em farmácias de manipulação
Entre as principais novidades, está a autorização para a venda de fitofármacos derivados de cannabis, como o canabidiol, em farmácias de manipulação.
Anteriormente, a comercialização de medicamentos à base de cannabis era restrita a produtos importados ou fabricados em associações e farmacêuticas, com regulamentação rigorosa.
Com as novas regras, o mercado brasileiro de medicamentos derivados da cannabis pode ser mais desenvolvido, dando assim uma maior autonomia ao país na produção de medicamentos.
Maior acesso a tratamentos com alta concentração de canabinóides
Além das mudanças na venda em farmácias de manipulação, foram feitas novas regras que possibilitam o acesso de pacientes a tratamentos com maior concentração de canabinóides, especialmente para aqueles com doenças debilitantes.
Vale relembrar que a Anvisa já havia autorizado, desde 2015, a importação desse tipo de produto, porém, com a regulamentação renovada, o país dá um passo para o desenvolvimento de uma produção local.
Cultivo nacional
O plantio da cannabis no Brasil foi liberado, mas não para a população geral, esta regra é voltada somente para as chamadas pessoas jurídicas, termo que engloba:
- empresas;
- universidades;
- associações de pacientes legalmente constituídas.
A planta deve ser exclusivamente produzida para abastecer a fabricação de medicamentos e outros produtos regulados pela agência.
A produção deve ser restrita ao teor de THC de até 0,3%.
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) comemorou a decisão da anvisa por meio de uma nota no X, dizendo:
“Fico feliz e aliviada com a decisão da ANVISA. Enquanto o Brasil ainda engatinha – e FRACASSA todos os dias – no debate da legalização e regulamentação da maconha recreativa, isso é uma ÓTIMA notícia.”
Veja as outras novidades
Publicidade
- Como era: a publicidade de produtos à base de cannabis era vedada.
- Como fica: a publicidade passa a ser permitida exclusivamente somente aos médicos (citados na norma como profissionais prescritores), restrita às informações de rotulagem e ao folheto informativo previamente aprovados pela Anvisa.
Acesso ao THC acima de 0,2%
- Como era: Antes da decisão, apenas pacientes em cuidados paliativos ou com condições clínicas irreversíveis ou terminais podiam utilizar medicamentos à base de cannabis com concentração de THC (tetrahidrocanabinol) acima de 0,2%.
- Como fica: Com a nova regra, o uso desses medicamentos passa a ser permitido também para pacientes com doenças debilitantes graves, ampliando o acesso a terapias com maior concentração da substância.
Vias de administração
- Como era: Antes da decisão, a regulamentação brasileira permitia o uso de produtos à base de cannabis apenas por duas vias de administração: oral e nasal, conforme previa a RDC nº 327, de 2019.
- Como fica agora: Com a revisão da norma aprovada pela Anvisa, o número de vias permitidas foi ampliado com base em evidências científicas analisadas durante o processo de Análise de Impacto Regulatório (AIR).
Por Reizimare Lordelo / 28/01/2026 às 17:19
Foto:Reprodução






