Justiça condena família a indenizar mulher que trabalhou 42 anos em condição análoga à escravidão

Na sentença, a Justiça destacou que a trabalhadora, uma mulher negra, foi submetida a uma situação classificada como “senzala contemporânea”
Após trabalhar por 42 anos em condições análogas à escravidão, uma mulher de 59 anos será indenizada por decisão da Justiça do Trabalho em Feira de Santana, na Bahia. A sentença, proferida pela 5ª Vara do Trabalho do município, condenou os réus ao pagamento de R$ 1.450.699,59, sendo R$ 500 mil por danos morais. Ainda cabe recurso da decisão.
Na sentença, a Justiça destacou que a trabalhadora, uma mulher negra, foi submetida a uma situação classificada como “senzala contemporânea”, com violação sistemática de direitos trabalhistas e humanos.
Segundo os autos, a mulher chegou à residência da família em março de 1982, quando tinha apenas 16 anos, para exercer a função de empregada doméstica em período integral. De acordo com o relato, durante cerca de quatro décadas ela trabalhou sem receber salário, não teve acesso a férias ou folgas e morava em um cômodo precário nos fundos da casa.
A trabalhadora também afirmou que não conseguiu concluir os estudos e que, por ser muito jovem, desconhecia seus direitos, o que contribuiu para a permanência em situação de exploração. Atualmente, aos 59 anos, ela relatou que os patrões passaram a tentar expulsá-la do imóvel, inclusive com o trancamento de armários com alimentos.
Por Reizimare Lordelo / 26/01/2026 às 15:20






