O cientista político e professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Paulo Fábio Dantas Neto, disse que a CPI dos Respiradores, que a oposição tenta instalar na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), pode ser vista pela opinião pública como um “lance da disputa eleitoral”. Para ele, o caso não deveria ser apurado pelo Legislativo neste momento, mas sim pelas autoridades policiais.
“Qual é a eficácia que se espera uma CPI, qualquer que seja ela, no momento em que a disputa eleitoral se engatinha? Qualquer caminho que uma CPI tenha não poderia deixar de ser interpretada pelo grande público como um lance da disputa eleitoral. Não digo que a apuração não tenha que acontecer, mas digo que a instância do Legislativo não é a instância mais adequada para que isso ocorra, ainda mais quando é caso que tá rolando a tanto tempo e vem à tona exatamente nesse momento. Me parece que vai na contramão de um esclarecimento real das coisas”, disse Paulo Fábio, em entrevista à Rádio Metrópole.
Cenário eleitoral
Ao falar sobre o pleito da Bahia, Paulo Fábio sugeriu que o governador Rui Costa (PT) só não foi candidato a senador porque não pressionou. “As coisas foram conduzidas de uma maneira pela qual o governador não foi até às últimas consequências dos instrumentos que tinha para dizer que é candidato a senador. Se ele dissesse, quem iria ficar na raia? Não fica nem Otto Alencar nem João Leão”, analisou, ao ressaltar que ao ter uma candidatura de Jerônimo Rodrigues ao governo o PT priorizou a campanha para deputados em vez da Presidência.
Na visão dele, não é interessante uma “fricção” entre o ex-presidente Lula (PT) e o pré-candidato a governador da Bahia, ACM Neto (UNIÃO), para ambos os lados. “Se Lula, em vez de 80% tiver 70% na Bahia, mesmo que ele ganhe na Bahia, pode fazer falta (os votos) na conta nacional”, ponderou.
Fonte: Metro1





