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Banco Edir Macedo investe em projetos de alto risco em meio a crise financeira

Instituição ligada a Edir Macedo direcionou recursos para projetos sem licença e ativos de difícil rastreamento, segundo auditorias e documentos.

O banco Digimais, ligado ao líder da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo, realizou aportes milionários em empreendimentos considerados de alto risco enquanto enfrenta dificuldades financeiras. Entre os destinos dos recursos estão projetos que ainda não saíram do papel e áreas com restrições legais, incluindo terrenos em regiões ambientalmente protegidas.

Um dos investimentos envolve um projeto de condomínio no município de Goiana, no Nordeste, que não possui autorização da prefeitura para construção. Até o momento, não há obras iniciadas no local. Outro caso citado ocorre em Paraty, onde terrenos situados em áreas de proteção da União, habitadas por comunidades caiçaras e marcadas por conflitos fundiários, foram incluídos em fundos de investimento dos quais o banco é cotista.

Segundo informações obtidas pelo jornal Estadão, esses ativos fazem parte de fundos que somam cerca de R$ 526 milhões em patrimônio. No caso de Paraty, há a expectativa de transformar a área em um projeto de preservação ambiental com potencial de geração de créditos, semelhante ao mercado de carbono, cuja certificação só deve ocorrer, se aprovada, a partir de 2028.

Especialistas do mercado financeiro apontam que esse tipo de operação foge do padrão adotado por instituições em situação delicada, ampliando os riscos. Documentos, auditorias e processos judiciais analisados pela reportagem indicam que o banco tem utilizado fundos próprios para movimentar recursos e, segundo relatos de pessoas ligadas à igreja, também para tentar ocultar fragilidades financeiras.

Auditorias independentes revelaram que aproximadamente 75% dos cerca de R$ 4 bilhões em aportes realizados pelo Digimais não puderam ser plenamente verificados por ausência de documentação que comprove a situação dos fundos investidos. Parte desses recursos — cerca de R$ 3 bilhões — é considerada de difícil rastreamento pelos órgãos de fiscalização.

Ainda conforme as apurações, aproximadamente R$ 1,9 bilhão foi direcionado a fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs). Esses instrumentos teriam sido utilizados pelo próprio banco para adquirir carteiras de crédito com altos índices de inadimplência, além de precatórios negociados com a holding controladora da instituição, também ligada a Edir Macedo.

Por Lala Freitas / 18/05/2026 às 14:30

Edir Macedo – instagram @bispomacedo/Reprodução

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