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Cresce número de alunos com deficiência, mas faltam profissionais para educação inclusiva nas escolas brasileiras 

Reportagem mostra aumento de alunos com deficiência e déficit de profissionais especializados na rede de ensino.

Cada vez mais alunos com deficiência têm recebido apoio especial nas escolas do país, mas a falta de professores impede que esse direito chegue a todos. Esse é um caso tratado pelo Jornal Nacional na noite de segunda-feira (21). A educação inclusiva esbarra na falta de profissionais qualificados em escolas brasileiras, ou seja, há mais crianças e adolescentes precisando de educação especializada, mas não há professores suficientes.

A professora Gonçala começou neste ano a dar aulas para estudantes com deficiência no atendimento educacional especializado em escola pública em Ceilândia, no Distrito Federal. Ela acompanha os alunos à tarde, no contraturno, para que estejam mais preparados para as atividades da turma em que estão matriculados pela manhã.

“Cada criança tem tem o seu histórico e a gente tem que saber, de acordo com os avanços de cada criança, o que vai colocar como desafio para que ele possa ter uma crescente na aprendizagem sempre”, diz a professora Gonçala Gomes Marinho ao Jornal Nacional.

Setenta e seis alunos com algum tipo de deficiência estudam na escola, mas apenas 50 têm atendimento especializado por falta de professores. Há vagas para 50 no atendimento especializado.

“Alguns ficaram sem. Foi muito difícil fazer essa seleção. A gente analisa uma por uma, a gente vai conhecendo e vai trabalhando aquilo que ela precisa mais. O objetivo é que elas cresçam autônomas, independentes que ela socializem na sala de aula e que elas aprendam com os pares… Então cada criança a gente vê uma necessidade diferente”, comenta Luiza Alves dos Santos, professora.

O Ministério da Educação informa que, em 2025, o número de matrículas na educação especial chegou a 2,5 milhões.

De acordo com o Instituto Rodrigo Mendes, que atua há anos na promoção da educação inclusiva, em dez anos, o número de estudantes matriculados na educação básica pública e privada e que necessitam de atendimento especializado passou de 312 mil, em 2015, para mais de 850 mil crianças, adolescentes, jovens e adultos.

Mas ainda são poucos os professores com formação adequada. De acordo com os dados mais recentes, apenas 151 mil fizeram algum curso sobre inclusão com mais de 80 horas de aula. Isso representa 6% de todos os professores dessa etapa de ensino. E, de acordo com o MEC, apenas 40% desses professores fizeram cursos específicos para o atendimento educacional especializado, voltado para quem precisa de apoio.

Além disso, ainda segundo o Instituto Rodrigo Mendes, a oferta está mal distribuída. Alunos da pré-escola e dos anos iniciais têm mais assistência do que estudantes do ensino médio ou da educação de jovens e adultos (EJA), por exemplo.

“A nossa legislação é bastante robusta. Agora, isso precisa se traduzir em investimentos, isso precisa se traduzir em apoio aos professores, em conhecimento, em tecnologia acessível e para que isso aconteça, nossos representantes devem assumir essa responsabilidade. Aumentar significativamente aquilo que as escolas recebem como suporte, como estrutura de trabalho”, destaca Rodrigo Mendes, diretor do Instituto Rodrigo Mendes, ao Jornal Nacional.

O objetivo da política pública é incluir. O aluno deve frequentar a classe comum. Hoje, 92% das matrículas são assim. Mas 150 mil alunos ainda permanecem fora do ensino regular.

O MEC reconhece que o aumento das matrículas expõe a necessidade de ampliar e melhorar a formação dos professores, mas afirma que o governo vai investir na construção de centros de referência em todo o país.

“O MEC não pode obrigar a nenhuma rede de ensino fazer com seus profissionais façam o curso. Nós vamos financiar, estamos prontos para isso. Todos centros de formação já estão prontos para serem implementados. É necessário que a rede de ensino tenha uma política deliberada, definida e obrigatória para que esses professores façam curso porque se não tiver, nós investiremos o recurso mas isso alcançara um número menor porquê vai ficar restrito a quem deseja fazer o curso e não pode ser quem deseja. Essa é uma demanda da rede, uma demanda da sociedade”, diz Zara Figueiredo, secretária de Educação Continuada, Alfabetização, Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão do MEC.

Por Kaylan Anibal / 23/04/2026 às 06:41

Foto: Smed/assessoria

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