Dólar cai abaixo de R$ 5,10 e atinge menor nível em dois anos; Ibovespa bate recorde

Queda da moeda é influenciada por trégua entre Estados Unidos e Irã e recuo do petróleo no mercado internacional.
O dólar é negociado hoje em queda, ao redor de R$ 5,10, influenciado pela forte queda do preço do petróleo no exterior, após trégua entre Estados Unidos e Irã. Na Bolsa brasileira B3, o principal índice Ibovespa sobe 2% e atinge pontuação recorde, seguindo tendência positiva predominante nos mercados globais.
O dólar chegou a ser negociado abaixo de R$ 5,10. A moeda americana tem baixa ante o real desde a abertura. Na mínima, chegou a valer R$ 5,07. Às 15h, a queda era de 0,91%, para R$ 5,109 no comercial para venda. A última vez que o dólar fechou abaixo de R$ 5,10 foi em maio de 2024.
O mercado reage à trégua entre Estados Unidos e Irã. O anúncio alimenta a expectativa de que sejam suspensos novos ataques às bases de produção de petróleo e de que ocorra a plena reabertura do Estreito de Hormuz, rota de petroleiros na costa iraniana por onde passavam cerca de 20% do fornecimento global da commodity antes da guerra.
O petróleo tem forte baixa no mercado internacional. O contrato para junho do barril do petróleo do tipo Brent, referência da commodity no mercado global, é negociado por volta das 15h30 em baixa de 13,5%, a US$ 94,53, menor patamar desde março deste ano, segundo a Bolsa ICE Internacional Exchange.
“O cessar-fogo traz reprecificação de ativos com a redução das tensões geopolíticas, embora o cenário siga desafiador. Lembrando que o petróleo girava entre US$ 65 e US$ 70 antes da guerra, mas chegou a atingir US$ 120. Agora, mesmo com o alívio, recuou para cerca de US$ 90, sendo que, antes, muitos analistas projetavam preços próximos a US$ 50 para este ano.”, afirmou Álvaro Maia, banker da Stonex ao UOL.
O Ibovespa registra pontuação recorde para fechamento. O principal índice de ações da Bolsa do Brasil B3 começou a sessão desta quarta-feira com variação positiva de 2,71%, atingindo 193.368 pontos. Às 15h30, o indicador subia 2,11%, atingindo 192.223, superando o recorde histórico de 191.490 pontos, batido em 24 de fevereiro último.
A Bolsa brasileira busca a sétima alta seguida. O Ibovespa, principal índice de ações do Brasil, mostrou resiliência nos últimos pregões em meio à forte volatilidade das Bolsas no exterior. Ontem, fechou em 188.258 pontos, maior patamar desde 2 de março.
No curto prazo, a Bolsa brasileira pode até ter um rali menor que as Bolsas em outras regiões, pela grande exposição do setor de petróleo no índice e pelo fato de o Brasil ter caído menos que outras Bolsas durante o conflito. Porém, olhando adiante, a volatilidade adicional trazida pela guerra deve seguir aumentando o apetite de investidores globais pelos ativos brasileiros. No ano, já são mais de R$ 50 bilhões de entrada de fluxos estrangeiros na B3, o que acredito que deveria seguir forte adiante, caso o cessar-fogo se sustente – Fernando Ferreira, estrategista-chefe da XP.
Por Kaylan Anibal / 09/04/2026 às 08:00
Foto: Getty Images






