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EUA divulgam VÍDEO de navio da Guarda Costeira emparelhando com petroleiro Marinera.

Petroleiro ligado à Venezuela e alvo de sanções dos EUA foi apreendido na quarta (7) após semanas de perseguição pelo Oceano Atlântico. O navio adotou recentemente a bandeira russa e mudou de nome.

Os Estados Unidos divulgaram um vídeo que mostra a aproximação de um navio da Guarda Costeira ao petroleiro Marinera (antigo Bella 1), ligado à Venezuela e com bandeira russa, apreendido na quarta-feira (7).

A embarcação havia recebido escolta de submarino russo nos últimos dias, segundo a mídia dos EUA. A apreensão do petroleiro tem o potencial de escalar as tensões entre Washington e Moscou.

O vídeo, gravado na quarta-feira e divulgado pela Guarda Costeira horas após a apreensão, mostra a embarcação norte-americana se aproximando do petroleiro, porém não fica evidente em qual momento da operação. (Veja no vídeo acima)

As imagens não mostram, no entanto, o helicóptero relatado pela imprensa russa ou as tropas norte-americanas embarcando no Marinera, como reportado pela agência de notícias Associated Press.

O petroleiro foi apreendido pelos EUA após semanas de perseguição pelo Oceano Atlântico e integra uma investida do governo Trump contra o petróleo venezuelano. O Marinera ia atracar na Venezuela quando foi abordado pela primeira vez, em dezembro de 2025. A captura do navio foi repudiada pela Rússia e pela China. (Leia mais abaixo)

Segundo a Guarda Costeira, a abordagem e apreensão do petroleiro ocorreu após um “esforço contínuo de monitoramento ao longo do Atlântico” pelo navio USCGC Munro. Assim que houve o emparelhamento, “equipes táticas da Guarda Costeira utilizaram robustas autoridades de aplicação da lei marítima em operação conjunta”.

O Marinera foi construído como um navio-tanque capaz de carregar petróleo e produtos químicos. A embarcação tem capacidade de carregar até 318 mil toneladas de petróleo. Leia mais sobre o petroleiro aqui.

O navio-tanque passou por diversas “encarnações” ao longo de sua vida operacional, algo comum no comércio marítimo. Ele já foi conhecido, por exemplo, como Mtov em 2012, Overseas Mulan em 2017 e Xiao Zhu Shan em 2021. Até recentemente, seu nome era Bella 1 e ele estava registrado sob a bandeira da Guiana.

Na véspera do último Natal, já em meio à perseguição marítima, o Ministério dos Transportes da Rússia concedeu uma licença temporária para operar sob a bandeira do país após um pedido de ajuda da tripulação do Bella 1, que, então, passou a se chamar Marinera. A embarcação já havia sido sancionada no passado nos EUA, pelo governo Biden, por carregar petróleo iraniano.

Moscou repudia ação

Foto: Divulgação/Guarda Costeira dos EUA

O governo da Rússia repudiou a apreensão do petroleiro e afirmou que a ação dos EUA violou o direito marítimo e que “não havia jurisdição para o uso da força”. Também pediu que os norte-americanos deem “tratamento humano e digno” aos tripulantes. A Casa Branca afirmou anteriormente que a apreensão respeitaria o direito internacional por acusar o navio de navegar sob bandeira falsa.

Reino Unido deu apoio à operação de apreensão após um pedido de ajuda dos EUA, segundo o secretário de Defesa britânico, John Healey. As Forças Armadas britânicas forneceram “suporte operacional, incluindo o uso de bases”, uma embarcação militar e apoio aéreo de vigilância.

Healey disse que o petroleiro tem um “histórico nefasto” e é “ligado a redes russas e iranianas de evasão de sanções”.

Foto: Reuters

Recentemente, a Rússia deslocou um submarino e outras embarcações para escoltar o petroleiro, que os EUA interceptaram no final de dezembro e tentam apreender desde então. À época, a embarcação estava perto da Venezuela e fugiu para o Oceano Atlântico.

Com a apreensão, as tensões entre os EUA e a Rússia podem escalar ainda mais. Isso porque, além da escolta, o Kremlin fez nos últimos dias um pedido formal à Casa Branca para que deixasse de perseguir o petroleiro.

O reservatório de petróleo do Marinera estava vazio no momento da apreensão, segundo dados de rastreamento marítimo analisados pela agência Associated Press.

Escolta

Autoridades disseram à agência Reuters que navios militares russos estavam na área geral da operação, incluindo um submarino russo. Não está claro, porém, quão próximas às embarcações estavam do petroleiro, e não havia indícios de confronto entre as forças militares dos EUA e da Rússia.

Após a apreensão, o secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que o bloqueio de petroleiros venezuelanos “continua em vigor em todo o mundo”.

O presidente dos EUA, Donald Trumpimpôs em dezembro um “bloqueio total” aos petroleiros do país e apreendeu duas dessas embarcações em 2025.

Os EUA acusam o petroleiro de navegar sob bandeira falsa e transportar petróleo venezuelano a aliados do regime chavista —liderado pela sucessora de Nicolás Maduro, Delcy Rodriguez—, como a Rússia, a China e o Irã. A Casa Branca alega que abordar um navio com bandeira falsa não viola o direito internacional.

Na última semana, o Kremlin já havia pedido aos EUA que interrompessem a perseguição aso petroleiro. O pedido diplomático foi feito na quarta-feira (31). A Casa Branca, o Departamento de Estado dos EUA e o governo russo não comentaram o caso até a última atualização.

Na semana passada, a Casa Branca determinou que as Forças Armadas dos EUA concentrem esforços quase exclusivamente na aplicação de um tipo de bloqueio ao petróleo venezuelano pelos próximos dois meses, segundo a agência de notícias Reuters.

Perseguição a petroleiro

Foto: Hakon Rimmereid/via REUTER

A interceptação inicial do petroleiro Bella 1 pela Guarda Costeira norte-americana ocorreu em 16 de dezembro. A embarcação estava entrando em águas da América Latina e se aproximando da Venezuela.

No entanto, as forças dos EUA não conseguiram apreender o navio, porque a tripulação resistiu à investida, mudou a rota e fugiu em direção ao Oceano Atlântico. Desde então, o Exército dos EUA persegue a embarcação.

Segundo o jornal norte-americano “The New York Times”, o Bella 1 vinha do Irã e tinha como destino a Venezuela para fazer um carregamento de petróleo. Nos dias seguintes, o navio tentou obter proteção da Rússia ao pintar uma bandeira no casco e informar por rádio à Guarda Costeira dos EUA que navegava sob autoridade russa, ainda segundo o jornal.

Desde então, o petroleiro passou a constar no registro oficial de navios como pertencente à Rússia e com um novo nome, Marinera. O porto de origem indicado é Sochi, cidade russa no mar Negro.

Em dezembro, a Guarda Costeira dos EUA já havia interceptado dois petroleiros no mar do Caribe, ambos carregados com petróleo venezuelano. O aumento da pressão ocorre em meio a uma grande presença militar dos Estados Unidos no Caribe, com mais de 15 mil soldados, incluindo um porta-aviões, outros 11 navios de guerra e caças F-35. Os EUA afirmam que os meios militares são usados para reforçar sanções econômicas.

Por Redação g1

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