
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta terça-feira (3) que chegou a um acordo com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e que Washington não fornecerá mais ajuda militar a Israel após o final deste ano.
Em entrevista ao programa Fox and Friends, da Fox News, Trump afirmou que Israel não precisa mais desse dinheiro e que alguns democratas e políticos de esquerda estavam usando esse financiamento americano a Israel como argumento para criticar os republicanos.
“Agora, no que diz respeito ao pagamento a Israel, Benjamin Netanyahu [primeiro-ministro israelense] e eu fizemos um acordo para dar a Israel US$ 4 bilhões por ano, e fizemos um acordo meses atrás para interromper esse pagamento”, disse Trump ao programa Fox and Friends, da Fox News.
“Já concordamos que, até o final deste ano, não faremos mais pagamentos. Agora, ajudaremos se eles precisarem”, disse ele, mencionando que Israel poderá comprar armas americanas.
De acordo com uma pesquisa realizada e publicada por membros do Congresso dos EUA
Não houve comentários imediatos do gabinete de Netanyahu sobre as declarações de Trump.
Não ficou imediatamente claro a qual financiamento Trump se referia exatamente. Um memorando de entendimento que prevê ajuda militar anual dos EUA a Israel está se aproximando de sua data de expiração em 2028, e conversas estão em andamento sobre como a assistência de Washington a Israel evoluiria após essa data.
Os Estados Unidos destinaram US$ 3,8 bilhões a Israel no ano fiscal de 2025, segundo dados compilados pelo Congressional Research Service (CRS), órgão de pesquisa do Congresso americano.
A composição foi:
– US$ 3,3 bilhões em assistência militar;
– US$ 500 milhões para programas de defesa antimísseis.
“Eles podem comprar o que quiserem. Podem comprar o que quiserem. A Europa também. Nós fabricamos as melhores armas do mundo”, acrescentou Trump na entrevista à Fox.
Em entrevista à CBS em maio, Netanyahu afirmou que esperava que Israel deixasse de depender do apoio militar dos EUA em uma década. Em carta a um congressista americano em junho, escreveu que havia chegado a hora de Israel “passar de receptor de ajuda a parceiro”.
O apoio público a Israel nos EUA caiu desde o início da guerra em Gaza, em 2023, particularmente entre os democratas. Uma pesquisa da Universidade Quinnipiac, realizada em junho, revelou que 48% dos eleitores e 66% dos democratas acreditam que os Estados Unidos apoiam Israel em excesso, um aumento em relação aos 16% e 20% registrados quando a pergunta foi feita pela primeira vez, em 2017.
O apoio a Israel entre os eleitores democratas despencou, candidatos críticos a Israel estão vencendo as primárias democratas e até mesmo legisladores moderados estão cada vez mais dispostos a desafiar décadas de apoio dos EUA a Israel.
“A esquerda usa o pagamento de 4 bilhões de dólares, que todo mundo conhece, aliás, não é segredo para ninguém, como um sinal de injustiça, e não podemos permitir que isso aconteça”, disse Trump.
“Estávamos dando a eles 4 bilhões, sim, mas o repasse será cortado no final do ano”, disse ele. “Por quê? Porque eles não precisam.”
A fala foi feita enquanto acontecem as votações das Eleições de Meio de Mandato, as Midterms, em que o Congresso americano será renovado.
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