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Está estressado? Forçar um sorriso pode fazer bem à saúde, sugere estudo

Sorrir em meio às dificuldades é um conselho clássico, embora difícil de pôr em prática. Mas pode valer a tentativa: em 2012, um estudo de psicologia descobriu que participantes que sorriam durante tarefas complicadas sentiam menos estresse, mesmo quando as expressões não eram genuínas.

O objetivo da pesquisa era verificar se as emoções são causadas ou causadoras das diferentes expressões faciais, e testar a teoria de que fingir um estado emocional pode levar alguém a sentir a emoção de fato. O tema pode parecer filosófico ou pautado em saberes populares, mas é um objeto de estudo central da área desde o século XIX.

Em “Os Princípios da Psicologia” (1890), William James propôs a ideia de que mudanças fisiológicas antecedem as psicológicas. Ou seja: primeiro, sorrimos; depois, sentimos alegria. “Sentimo-nos tristes porque choramos; irritados porque agredimos, com medo porque trememos”, escreveu.

Sorrisos forçados fazem bem à saúde?

Duas pesquisadoras da Universidade do Kansas recrutaram 170 participantes para concluir desafios sob três condições distintas: segurando palitos na boca de forma a produzir um sorriso; segurando os palitos na boca e sendo orientados a sorrir, e com rostos neutros.

Alguns dos indivíduos sorridentes exibiam o chamado “sorriso de Duchenne”, que associamos ao “sorriso genuíno”, aquele que envolve músculos superiores da face e “chega” aos olhos. Outros tinham apenas os músculos da boca envolvidos, produzindo o famoso “sorriso amarelo”.

Uma análise da atividade cardíaca dos participantes mostrou que todos os grupos sorridentes apresentaram frequência de batimentos mais baixa logo após a conclusão da tarefa. O sorriso de Duchenne teve a maior influência neste parâmetro, indicando que os sorrisos frequentemente vistos como genuínos podem ser melhores para espantar o estresse.

Aqueles que foram instruídos a sorrir e, portanto, sabiam que estavam sorrindo, tiveram frequência cardíaca levemente menor em relação aos que não sabiam.

No artigo, as pesquisadoras ainda citam a hipótese de que inibir as expressões faciais, seja por esforço próprio ou pela aplicação de toxina botulínica (Botox), pode suprimir as emoções.

Participantes não perceberam o efeito do sorriso

Um “porém” importante foi relatado no estudo. Apesar das diferenças na atividade cardíaca, uma autoavaliação preenchida pelos próprios voluntários não mostrou impacto relevante dos sorrisos na percepção de estresse.

“Se sorrir tem um importante impacto nas emoções, isso acontece fora do campo da autopercepção”, propõe o texto. “Também é possível que as mudanças de emoção, quando causadas pela manipulação artificial das expressões, não sejam fáceis de medir por conta própria, por conta dos sentimentos conflitantes.”

“Isso também levanta a possibilidade intrigante de que existem conexões entre os músculos da face e o sistema nervoso autônomo que não passam pela consciência”, completa.

Ainda, a duração e frequência deste “fingimento” das expressões faciais podem mudar seu efeito. Agir de forma incompatível com as suas emoções por muito tempo é considerado comportamento de risco pela psicologia; mas sorrir enquanto lida com breves períodos de estresse – como aguardar em uma fila, receber uma injeção ou ter uma conversa desconfortável – pode contribuir para o bem-estar.

TópicosEmoçõesPsicologiapsicologia comportamental

Fonte: Matéria Original

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