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Flávio amplia votos do pai no agro; Lula cai nos 10 maiores polos agrícolas

O presidente e candidato do PT Luiz Inácio Lula da Silva perdeu votos e participação percentual nos dez municípios com maior valor da produção agrícola brasileira. No mesmo grupo, o candidato do PL, Flávio Bolsonaro recebeu, no primeiro turno de 2026, mais votos e percentuais superiores aos registrados pelo pai, Jair Bolsonaro, na primeira rodada da eleição de 2022.

O levantamento, elaborado pelo blog a partir dos dados do TSE coletados, cruza a votação presidencial com o ranking da PAM 2025 (Produção Agrícola Municipal), do IBGE, divulgada em setembro.

O recorte reúne cinco municípios de Mato Grosso, três de Goiás e dois da Bahia, que trocam posições no ranking de gigantes do capital agropecuário, ano a ano, e mantém a concentração do dinheiro gerado pelo setor na balança comercial.

Na soma dos dez municípios, Lula passou de 126.993 votos em 2022 para 106.013 em 2026, uma redução de 20.980 votos, ou 16,5%. Flávio recebeu 242.662 votos, ante os 196.380 obtidos por Jair Bolsonaro quatro anos antes — diferença de 46.282 votos, equivalente a 23,6%.

A comparação mantém a divisão territorial observada em 2022: os oito municípios do Centro-Oeste registraram maioria para a candidatura da família Bolsonaro, enquanto São Desidério e Formosa do Rio Preto, na Bahia, permaneceram majoritariamente com Lula.

A manutenção desse desenho, porém, convive com uma redução da votação petista em todas as cidades analisadas. Os municípios são grandes produtores de commodities, como soja, milho e algodão.

A maior queda proporcional ocorreu em Formosa do Rio Preto, onde Lula passou de 69,92% para 58,15%, uma redução de 11,77 pontos percentuais. O presidente continuou com maioria dos votos válidos, mas recebeu 938 votos a menos. Flávio alcançou 37,81%, frente aos 25,61% registrados por Jair Bolsonaro em 2022.

Em São Desidério, segundo colocado no ranking agrícola, Lula passou de 68,78% para 60,07%. Nesse município, a queda em votos absolutos foi pequena — de 13.454 para 13.345 —, apesar do recuo de 8,71 pontos percentuais. A diferença mostra que a perda de participação também ocorreu em um universo maior de votos válidos: Lula praticamente manteve seu contingente, mas não acompanhou a expansão da votação municipal.

De acordo com uma fonte ouvida pelo blog, há uma tendência natural da agricultura empresarial se enquadrar em diretrizes de direita e, cada vez mais, ligadas ao Bolsonarismo, em especial em 2026.

O motivo seria a piora do endividamento agrícola e dificuldade com o crédito que teria prejudicado produtores de grãos de grande porte. Nestes casos, a fonte especialista lembra que cartas para atração de eleitores do agro para o PT, como diplomacia agrícola e abertura de mercados internacionais, não pesam.

Nos polos agrícolas goianos, o recuo foi expressivo tanto em percentual quanto em votos. Rio Verde concentrou a maior perda absoluta de Lula no grupo, de 41.013 para 31.329 votos. Em Jataí, o presidente passou de 19.072 para 14.385 votos. Os percentuais caíram, respectivamente, 10,89 e 10,09 pontos.

Goiás, que é reduto político do candidato derrotado Ronaldo Caiado (PSD), converteu majoritária preferência a Flávio Bolsonaro.

Em detrimento a outras regiões do Brasil, porém, Caiado teve um percentual maior de votação nos municípios goianos da PAM, de 5% a 8%, que devem migrar para o candidato do PL no segundo turno.

Outra fonte, que preferiu falar sob condição de anonimato, avaliou que o agronegócio do Centro-Oeste se preocupou mais na última semana de campanha, com produtores de grãos fazendo uma campanha intensa fora dos holofotes, mas nas redes sociais e o corpo a corpo das propriedades rurais para tentar impulsionar uma vitória de Flávio no primeiro turno.

Segundo esta fonte, a principal preocupação do setor na região é desburocratizar os trâmites de negócios que envolvem uma empresa agropecuária, que envolvem tributos, por exemplo.

Os três municípios de Goiás também apresentam outro movimento: a parcela de votos destinada aos demais candidatos cresceu. Em Rio Verde, passou de 6,78% para 9,54%; em Cristalina, de 6% para 10,10%; e, em Jataí, de 6,74% para 11,31%.

A aparição da senadora e ex-ministra da Agricultura, Tereza Cristina, na quinta-feira que antecedeu o domingo de votação, foi estratégico para agradar representantes da agricultura empresarial e algumas entidades, que não se posicionaram oficialmente.

Em Mato Grosso, Sapezal, Sorriso, Campo Novo do Parecis e Nova Mutum registraram mais de 70% dos votos válidos para Flávio no primeiro turno de 2026. Diamantino marcou 65,89%. Lula ficou abaixo de 30% nos cinco municípios.

A leitura conjunta sugere uma continuidade territorial acompanhada de mudanças na distribuição dos votos. Os municípios baianos mantiveram maioria petista, enquanto os polos do Centro-Oeste permaneceram majoritariamente alinhados à candidatura bolsonarista.

Mas a redução de Lula ultrapassou essa divisão regional e alcançou todos os municípios da amostra.

O histórico de 2022 oferece referência para o segundo turno, mas não uma projeção. Em 2022, Jair Bolsonaro ampliou seu percentual nos dez municípios. Lula ganhou participação em quatro — São Desidério, Formosa do Rio Preto, Rio Verde e Jataí — e perdeu em seis.

Em votos absolutos, contudo, os dois candidatos cresceram nos dez municípios entre a primeira e a segunda rodada. Isso mostra por que aumento de votos e aumento de participação precisam ser analisados separadamente: um candidato pode receber mais votos e, ainda assim, representar uma parcela menor do total válido, o que gera a incógnita para o segundo turno entre Flávio e Lula.

O candidato do PT, com pouco tempo que tem para virar a fatura do primeiro turno, não deve focar nestas regiões. Pela estratégia de campanha, ao falar de agricultura, deve focar na produção de alimentos proveniente da agricultura familiar.

Num discurso mais amplo, o candidato vai contar com apoiadores para defender expansão do agro internacionalmente, com o número de mercados abertos para produtos agropecuários, relação com a Ásia e África, além de soberania contra tarifas comerciais que imporiam mais tributos para exportação dos itens do agro.

*O levantamento funciona como um termômetro eleitoral dos municípios que concentram grande valor de produção de commodities. Não mede diretamente o voto dos produtores, dos exportadores ou dos trabalhadores do agro: os resultados incluem todo o eleitorado municipal, urbano e rural. 

Fonte: Matéria Original

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