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Importação de trigo pode chegar a 9 milhões de toneladas, diz Abitrigo

O Brasil poderá importar cerca de 9 milhões de toneladas de trigo neste ciclo, acima da projeção inicial de 7,5 milhões de toneladas, diante das perdas provocadas pelo clima na safra nacional.

A avaliação é da Abitrigo (Associação Brasileira da Indústria do Trigo), que vê um cenário de oferta mais restrita e maior exposição a custos logísticos e cambiais para abastecer a indústria de moagem.

Durante o Encontro da Cadeia Produtiva do Trigo de São Paulo, o presidente-executivo da Abitrigo, Daniel Kümmel, afirmou que a estimativa de importações foi revisada porque parte da produção brasileira já foi comprometida pelas condições climáticas.

“Ao passarmos de uma operação, na projeção de 7,5 milhões para uma necessidade próxima a 9 [milhões], teremos uma demanda adicional relevante, buscando trigo das mesmas origens e dentro de uma janela relativamente concentrada”, disse.

Segundo Kümmel, a produção brasileira está estimada em cerca de 5,7 milhões de toneladas, mas o volume efetivamente disponível para a indústria tende a ser menor, uma vez que “o clima provocou perdas e parte relevante desse volume já está comprometido”.

Ele destacou que o total produzido não é suficiente para medir a disponibilidade de matéria-prima para os moinhos.

Max Piermartini, presidente do Sindustrigo (Sindicato da Indústria de Trigo de São Paulo) afirmou que “a safra em curso está lamentável e seriamente ameaçada pelo fator clima. Setembro tem se mostrado impiedoso, com chuvas que a cada dia afogam nossas expectativas mais otimistas”.

“Para moagem, o volume total produzido não conta toda a história, porque precisamos considerar quanto estará efetivamente disponível, onde estará localizado e quanto atenderá às especificações de qualidade exigidas pela indústria”, disse Kümmel.

A Abitrigo avalia que o aumento das importações também afetará São Paulo, maior mercado consumidor e um dos principais polos de moagem do país.

Kümmel afirmou que o trigo produzido no estado segue sendo importante para abastecer a indústria local, mas que ele não substitui a necessidade estrutural de compras externas.

“O trigo paulista e o trigo importado se complementam neste momento. O abastecimento da indústria tem que ser preservado”, afirmou.

Ao comentar a situação das lavouras, Kümmel disse que a entidade está preocupada com os impactos do clima sobre a produção nacional, incluindo o Paraná, e mencionou o avanço do El Niño como um fator de atenção para os próximos meses.

“A realidade é essa e a gente está muito preocupado. Eu sou do Paraná e também estou sofrendo a mesma situação, com pouco trigo, porque também estamos sofrendo com o clima. O El Niño está chegando.”

Fornecedores internacionais

A entidade afirma que Argentina e Paraguai continuam sendo os principais fornecedores de trigo para o Brasil. A Rússia também pode contribuir para o abastecimento, mas sua participação permanece limitada pelas exigências sanitárias brasileiras.

“A Rússia também pode contribuir, mas sua participação é limitada pelas condições sanitárias estabelecidas pelo Mapa [Ministério da Agricultura], restringindo os volumes e as regiões que podem ser atendidas por essa origem”, afirmou.

Kümmel afirmou que a necessidade adicional de importação ocorre em um ambiente de maior incerteza no comércio internacional.

Segundo ele, a concentração da demanda em um período mais curto deve aumentar a exposição do setor a fatores como conflitos geopolíticos, restrições logísticas, custos de frete, seguros, volatilidade cambial e pressão sobre o diesel.

“As condições de reposição serão diferentes das observadas até aqui. O mercado deverá trabalhar com uma disponibilidade mais ajustada e encontrar um novo ponto de equilíbrio”, disse.

Fonte: Matéria Original

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