
A delegação brasileira deixou o salão da Assembleia Geral da ONU assim que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, iniciou seu discurso no plenário nesta quinta-feira (24). A ação é uma forma de protesto às posições de Netanyahu, sobretudo em relação à guerra na Faixa de Gaza.
Ao reparar a saída de diversas delegações — não apenas a do Brasil –, Netanyahu afirmou: “Se há mais covardes morais que ainda não saíram desse salão, por favor, façam isso agora”.
Nos discursos que antecederam o do primeiro-ministro, apenas um diplomata brasileiro estava escalado para acompanhar a sessão plenária desta quinta, mas outros quatro colegas se juntaram a ele a partir do pronunciamento de José Manuel Restrepo, vice-presidente da Colômbia, que antecedeu o de Netanyahu.
O objetivo, segundo fontes, era ter um volume maior de pessoas na hora da debandada.
A CNN Brasil apurou que os integrantes da delegação brasileira e de outros países se planejaram com antecedência para a retirada do plenário, assim como aconteceu nos últimos anos, pelo menos desde 2024, ano seguinte ao início do conflito em Gaza.
A delegação palestina é um exemplo: ela tinha apenas duas pessoas no discurso da Colômbia e, antes de Israel, aumentou para seis.
Delegação palestina no plenário da Assembleia Geral da ONU antes do discurso de Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel • Priscila Yazbek / CNN Brasil
Para se contrapor ao protesto, a delegação israelense levou representantes para bater palmas durante o discurso. Apesar de serem reservados apenas seis assentos a cada delegação, os israelenses pediram passes para setores de observação.
A CNN Brasil chegou à plenária horas antes do discurso e pôde observar que outras delegações fizeram o mesmo. Cerca de 30 minutos antes do pronunciamento de Netanyahu, o volume de delegados aumentou consideravelmente.
Fontes afirmaram que a delegação palestina fez um esforço para que os representantes das missões se retirassem. Nos corredores da ONU, o comentário é que essa foi uma das maiores debandadas em um discurso na Assembleia. É o que diz uma jornalista que cobre a ONU há décadas.
O governo brasileiro adota uma postura de firme crítica às ações militares de Israel em Gaza, classificando-as como genocídio, ao mesmo tempo em que apoia a criação de dois Estados para resolver o conflito histórico.
Durante seu discurso na Assembleia na terça-feira (22), o presidente Lula acusou novamente Israel de genocídio em Gaza.
“Gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma deixados pelo genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza”, afirmou.
Lula também falou sobre “os assentamentos ilegais na Cisjordânia, que tornam cada vez menos viável a solução de dois Estados” e acrescentou que “ameaçar civilizações de extinção não trará estabilidade para o Oriente Médio”.
Sobre o conflito no Irã, o governo brasileiro adota uma postura de condenação ao uso da força por ambos os lados, defendendo a máxima contenção e o diálogo diplomático.
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