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Redução da jornada pode elevar em quase 7% custo de serviços, diz estudo

 

A redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem corte de salários, poderá elevar em quase 7% os custos totais de empresas de serviços intensivos em mão de obra. A estimativa consta de levantamento da Íntegra Associados, obtido com exclusividade pela CNN.

O impacto seria maior em atividades como seleção e agenciamento de mão de obra, vigilância, segurança e serviços de apoio a edifícios. Na indústria e no comércio, por outro lado, a elevação do custo total tenderia a ser menor, mesmo com uma parcela maior de trabalhadores diretamente afetados pela mudança.

Segundo a Íntegra Associados, aproximadamente 23,4 milhões de empregos formais possuem jornadas superiores a 40 horas semanais. O número representa 81,2% dos vínculos celetistas considerados no levantamento.

A maior concentração está nos contratos de 44 horas semanais, que correspondem a 76,1% dos vínculos analisados. Mantida a remuneração dos empregados, a passagem de 44 para 40 horas representa aumento de 10% no custo de cada hora de trabalho.

 

O levantamento considera os vínculos ativos em dezembro de 2025 em estabelecimentos com pelo menos 20 empregados. A base reúne 28,8 milhões de contratos com informação disponível sobre a jornada.

Impacto varia entre os setores

A parcela de empregados com jornadas superiores a 40 horas chega a 97% na agropecuária, 95% no comércio e 92% na indústria. Nos serviços, a proporção é menor, de 67%.

Por isso, atividades agropecuárias, industriais e comerciais aparecem entre aquelas que teriam os maiores aumentos no custo médio da hora trabalhada. No comércio varejista, por exemplo, a elevação estimada é de 9,93%. Na fabricação de alimentos, chega a 9,82%, enquanto na construção de edifícios alcança 9,81%.

O efeito sobre o custo total das empresas, porém, segue outra lógica. O resultado depende do peso da folha de pagamento no conjunto das despesas de cada atividade.

Embora a fabricação de alimentos possa registrar aumento de 9,82% no custo da hora, a alta estimada no custo total seria de apenas 0,80%. No comércio atacadista, os percentuais seriam de 9,58% e 0,42%, respectivamente.

De acordo com o estudo, 19 setores teriam elevação inferior a 1% no custo total. Isso acontece porque as despesas com pessoal representam uma parcela relativamente pequena dos custos dessas atividades, especialmente em segmentos industriais e comerciais.

Serviços concentram maior pressão

O quadro é diferente nos serviços que dependem mais diretamente do trabalho humano. Na seleção e no agenciamento de mão de obra, as despesas com pessoal representam 81,34% do custo total. Nesse segmento, a redução da jornada provocaria aumento estimado de 6,85% nos custos das empresas.

Nas atividades de vigilância e segurança, a elevação seria de 6,83%. Nos serviços para edifícios e atividades paisagísticas, de 6,27%.

Também aparecem entre os setores mais afetados as atividades jurídicas e contábeis, com aumento de 4,70%; correios e serviços de entrega, com 4,45%; serviços de escritório e apoio administrativo, com 4,11%; e alojamento, com 3,50%.

Na avaliação da Íntegra Associados, as empresas mais expostas são justamente aquelas que combinam elevada proporção de empregados com jornadas superiores a 40 horas e forte participação da folha na estrutura de custos.

Estudo não mede efeito específico do fim da escala 6×1

O levantamento calcula somente os efeitos da redução da jornada máxima de 44 para 40 horas. Segundo os autores, não é possível estimar separadamente o impacto do fim da escala 6×1 porque bases oficiais, como a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), não identificam a escala efetivamente cumprida pelos trabalhadores.

A análise também não considera horas extras nem possíveis efeitos compensatórios da mudança, como ganhos de produtividade, redução do absenteísmo, melhora na retenção de funcionários e benefícios à saúde dos trabalhadores.

A Íntegra Associados reconhece ainda que a metodologia pode superestimar o aumento médio do custo do trabalho. O estudo considera a jornada prevista em contrato e pressupõe a manutenção integral dos salários, sem incorporar possíveis mudanças na organização da produção.

Para estimar os efeitos setoriais, o levantamento combina dados da Rais de 2025 com informações das pesquisas estruturais do IBGE e do Banco Central. As bases sobre custos das empresas possuem diferentes períodos de referência, que variam de 2017 a 2025.

Segundo o estudo, o período de transição previsto para a adoção da jornada menor pode ajudar as empresas a distribuir o choque de custos. Ainda assim, a adaptação tende a ser mais difícil para os segmentos intensivos em mão de obra, especialmente aqueles que já enfrentam margens estreitas ou fragilidades financeiras.

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Fonte: Matéria Original

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