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Ronaldo Caiado diz que Flávio Bolsonaro “conspirou” contra o Brasil ao se reunir com Trump antes do tarifaço

Pré-candidato à Presidência criticou a atuação do senador sobre tarifaço dos EUA e defendeu uma resposta do Itamaraty.

O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), afirmou que o senador Flávio Bolsonaro (PL) “conspirou” contra a economia do Brasil ao comentar o tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A declaração foi feita durante sabatina à CNN, nesta terça-feira (7).

Na entrevista, Caiado classificou como “inaceitável” a atuação de Flávio Bolsonaro em relação à tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

Em maio, Flávio Bolsonaro se reuniu com o presidente Donald Trump na Casa Branca. Poucos dias depois, o governo norte-americano anunciou o novo tarifaço sobre produtos do Brasil. Ao ser questionado se considerava o episódio uma “traição à pátria”, Caiado respondeu:

“Isso [a legislação sobre traição à pátria] existe em todos os países democráticos, isso não é nenhuma regra nova, não! Isso aí, é você conspirar contra a economia do país. Tem uma legislação antidumping e não aplica”, disse.

Durante a sabatina, o mediador Zeca Martins afirmou que o crime de traição à pátria não possui previsão específica na legislação penal comum, conforme conversa com o jurista Miguel Reale Jr. Atualmente, o Código Penal Militar trata do tema no artigo 141, aplicável apenas em tempos de guerra, enquanto o Código Penal prevê crimes relacionados ao atentado à soberania nacional nos artigos 344 e 359-I.

Segundo a legislação, “entrar em entendimento com país estrangeiro, ou organização nele existente, para gerar conflito ou divergência de caráter internacional entre o Brasil e qualquer outro país, ou para lhes perturbar as relações diplomáticas” pode ser caracterizado como crime.

Antes de comentar sobre a legislação, Caiado criticou a atuação do Itamaraty diante da tarifa imposta pelo governo dos Estados Unidos. Segundo ele, o órgão deixou de cumprir seu papel.

“Passou a ser política de ideologia ao invés de ser política de estado. Esta é a verdade”., disse Caiado à CNN.

Pouco antes do início da sabatina, o pré-candidato também conversou com a imprensa e afirmou que defender o adiamento das tarifas para depois das eleições cria um “falso positivo” para a população.

“Não sei a linha de raciocínio de Flávio Bolsonaro. Sou 100% contra e a nossa preocupação é o Brasil como um todo, não um período eleitoral. Nós não podemos criar um falso positivo para a população, ou seja: não seremos tributados até a eleição? Depois aceitaremos? Não!”, disse Caiado.

Ainda nesta terça-feira (7), Flávio Bolsonaro participou de uma audiência nos Estados Unidos, na qual defendeu o cancelamento das tarifas impostas ao Brasil. A audiência faz parte da investigação instaurada com base na Seção 301 da legislação comercial americana.

O procedimento analisa se políticas adotadas pelo Brasil representam prejuízo aos interesses comerciais dos Estados Unidos.

Por Kaylan Anibal / 08/07/2026 às 07:23

Foto: Agencia Fotonoticia

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