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Do pé à xícara: confira roteiros no Brasil para amantes de café

Do pé de café à xícara, há um Brasil inteiro para conhecer. Em diferentes regiões do país, fazendas centenárias, pequenas propriedades e produtores transformam o cultivo dos grãos em parte importante da identidade local, além de abrir as portas para quem quer entender de onde vem a bebida que faz parte da rotina dos brasileiros.

Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro estão entre os estados em que é possível conhecer de perto esse universo, com visitas a plantações, passeios por fazendas históricas, degustações e uma verdadeira imersão no mundo cafeeiro.

O Brasil é hoje o maior produtor e exportador mundial de café. Em 2025, foram produzidas 3,4 milhões de toneladas, que movimentaram mais de R$ 99,9 bilhões, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Mais do que uma bebida presente no cotidiano, o café também pode ser um caminho para conhecer uma parte importante da história do nosso país. A seguir, seis destinos em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo para colocar no roteiro.

Embora o calendário reúna outras datas dedicadas à bebida, o Dia Internacional do Café é celebrado em 1º de outubro. A data foi instituída pela Organização Internacional do Café (OIC) em 2014 e reúne ações dos 77 Estados-membros e associações ligadas ao setor.

Confira abaixo roteiros para fãs de café:

Vale do Café (Rio de Janeiro)

O Vale do Café, no interior do Rio de Janeiro, é a denominação turística da região onde o café foi a principal fonte de renda no século XIX. Naquela época, a região produzia 75% do café consumido no mundo.

Entre os municípios que se destacam na região estão Vassouras, Valença, Rio das Flores, Barra do Piraí, Piraí, Engenheiro Paulo de Frontin, Mendes, Paty do Alferes, Miguel Pereira e Paraíba do Sul. Eles ainda se destacam porque preservam casarões que pertenceram aos famosos barões do café, igrejas, estradas e fazendas.

Aos interessados em conhecer a região, uma sugestão é visitar a Fazenda São Luiz da Boa Sorte, em Vassouras, hotel-fazenda com apelo histórico, rodeado de cenários pitorescos. Além das suítes que resgatam a época, a fazenda também recupera a história com o Museu do Café, dedicado a contar como era a vida das pessoas escravizadas que trabalhavam na cafeicultura.

Em Valença, a Fazenda Vista Alegre já foi cenário de várias produções, como a novela “Salomé”, o clipe especial Xuxa 10 Anos de Globo (“Lua de Cristal”) e a novela “A Viagem”, graças à sua arquitetura em harmonia com os jardins. O espaço recebe visitas guiadas com opções que incluem lanche e almoço, hospedagens, além de eventos. Mais informações no site.

O CNN Viagem & Gastronomia foi ao Vale do Café na temporada especial sobre o Rio de Janeiro. Confira a íntegra do episódio acima.

Mogiana Paulista (São Paulo)

Mogiana Paulista, no interior de São Paulo, tem história marcada pela produção de cafés de alta qualidade, tanto que a região entrou para as Rotas do Café do estado.

As cidades que integram a rota são Franca, Pedregulho, Patrocínio Paulista e Cristais Paulista, reconhecidas pelo cultivo de café arábica em altitudes elevadas.

Alguns dos endereços destacados são o Café Labareda, em Cristais Paulista, que tem a sustentabilidade como um dos seus valores e promove degustações e visitas guiadas pelo cafezal.

Em Patrocínio Paulista, o Sítio Santa Terra nasceu de uma horta urbana em Franca e, desde 2017, se dedica à produção de hortaliças, frutas e cafés especiais. Lá é possível fazer degustações, visitar o cafezal e participar de experiências, dependendo da programação. Mais informações no Instagram.

Mantiqueira de Minas (Minas Gerais)

Situada na face mineira da Serra da Mantiqueira, a região de Mantiqueira de Minas tem tradição na produção de cafés. Tanto que, em 2011, foi reconhecida com o selo Indicação Geográfica pela reputação mundial em produzir cafés especiais. Isso protege os produtos da região, garantindo que façam parte da cultura do território, sejam produzidos na área e sigam normas e regras específicas.

A área demarcada integra 25 municípios, incluindo Baependi, Cachoeira de Minas, Dom Viçoso, Pouso Alto, Santa Rita do Sapucaí e São Lourenço. Em geral, a produção é de café arábica, principalmente das variedades bourbon, acaiá, catuaí, icatu, mundo novo e catucaí.

Em Cachoeira de Minas, o Sítio São Sebastião cultiva café a uma altitude entre 865 m e 1.050 m. A fazenda já conquistou algumas premiações em concursos nacionais e promove visita turística da lavoura à xícara. Mais informações no site.

A torrefação Unique Cafés, em São Lourenço, promove passeios aos visitantes. Um deles é “Do pé à xícara”, em que o percurso vai até a fazenda em Carmo de Minas, apresenta a lavoura e volta para a torrefação. Também há um tour pela Unique, com direito a degustação. Mais informações no site.

Sul de Minas (Minas Gerais)

Ainda em Minas Gerais, mas fora da indicação geográfica, outras cidades produzem cafés de expressão nacional. Em Poços de Caldas, vale conhecer o TradiCafé, uma torrefação de cafés especiais que fica dentro do Mercado Municipal local. Com produtos que têm um “terroir vulcânico”, termo para caracterizar o DNA do café, o TradiCafé já venceu alguns concursos nacionais.

A Fazenda Irarema, na divisa entre São Sebastião da Grama (SP) e Poços de Caldas (MG), é uma produção que migrou de cafés gourmet para produção de azeite. A visita ao local se torna ainda mais especial porque, além de fazer a visita “imersão do café”, é possível encontrar bons azeites, fazer um tour pelo olival, experimentar o brunch ou o almoço e conhecer toda a estrutura de lazer. Mais informações no Instagram.

Região Turística Caminhos do Café, Pedras e Cachoeiras (Espírito Santo)

No norte do Espírito Santo, a Região Turística Caminhos do Café, Pedras e Cachoeiras se destaca pela produção de café conilon, extração de rochas ornamentais, especialmente mármore e granito, e pelas áreas de ecoturismo.

Fazem parte da rota os municípios de Água Doce do Norte, Ecoporanga, Barra de São Francisco, Boa Esperança, Nova Venécia, São Gabriel da Palha, Vila Pavão e Vila Valério.

Enquanto o café arábica apresenta notas frutadas, florais e ácidas, o café conilon, que vem da espécie canephora, oferece sabores mais amargos, terrosos, com notas de nozes e chocolate, além de possuir um teor de cafeína mais elevado.

Em Barra de São Francisco, a Fazenda Laranjeiras produz café na propriedade há mais de 50 anos. Dos 70 hectares do local, o café é cultivado apenas em 25 hectares, enquanto mantém 25% de mata nativa preservada.

Chapada Diamantina (Bahia)

Além de ser um destino famoso de ecoturismo e aventura, a Chapada Diamantina, na Bahia, também produz café de qualidade. Um dos seus produtores chegou até o Vaticano.

Caio Tucunduva, colunista do CNN Viagem & Gastronomia, explicou essa história em um de seus textos. A Fazenda Aranquan, de Ibicoara, forneceu café ao Vaticano até 2013. Na época, a sede da Igreja Católica abriu uma concorrência de diversas origens, e o grão da Aranquan, que era orgânico (por exigência do Vaticano) e biodinâmico, foi o escolhido. Para conhecer o sabor que conquistou até o Papa Francisco, é possível procurar pela marca Latitude 13.

A cidade de Piatã, a mais alta e fria da Bahia, é famosa pela produção do café arábica. Ali, a Cafeteria Rigno é conhecida por acumular diversos prêmios. Eles possuem a Fazenda São Judas Tadeu, onde Antônio Rigno produz os grãos.

Na mesma cidade, a Fazenda Riacho da Tapera produz o café Taperinha e, nos finais de semana, abre a casa para receber visitantes. É possível conhecer os cafés e provar receitas autorais feitas pela família. Mais informações no Instagram.

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Fonte: Matéria Original

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