
A Ucrânia ficou sem mísseis para o sistema de defesa aérea Patriot, de fabricação americana, o que a torna mais vulnerável a ataques de mísseis balísticos russos, informou uma fonte a par da situação à CNN nesta quinta-feira (15).
Esse cenário preocupante para os ucranianos surge em meio a uma disputa pública cada vez mais acalorada entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o ucraniano, Volodymyr Zelensky.
Nos últimos dias, a Casa Branca fechou um acordo para importar diesel russo, ação que foi alvo de muitas críticas. Além disso, intensificou a pressão sobre a Ucrânia para que interrompa seus ataques à infraestrutura petrolífera da Rússia.
Zelensky afirmou ter se sentido traído pelo acordo de Trump com o presidente russo, Vladimir Putin, e anunciou que a Ucrânia continuará atacando refinarias russas.
Há meses, o líder ucraniano vem alertando que o país está ficando sem mísseis interceptadores para o sistema Patriot — um dos poucos armamentos defensivos capazes de abater um míssil balístico.
No entanto, esses interceptadores são caros e escassos em nível global, uma vez que outros países esgotaram seus estoques ou buscaram reforçar seus próprios sistemas de defesa em meio aos conflitos atuais.
A fonte disse à CNN que “quase todos os mísseis balísticos do último ataque não foram interceptados devido à falta de mísseis (interceptadores)”.
Durante esse ataque, ocorrido entre a noite e a manhã de quarta-feira (14), mísseis balísticos russos atingiram três usinas de energia em Kiev e tiveram como alvo a infraestrutura energética em Kharkiv.
Como resultado da ofensiva, quatro pessoas morreram e 25 ficaram feridas em Kiev.
Conflito entre Donald Trump e Volodymyr Zelensky
Acredita-se que esta não seja a primeira vez que a Ucrânia fica totalmente sem interceptadores para o sistema Patriot. Zelensky tem falado abertamente sobre sua luta constante para obter mais unidades.
Em meados de agosto, a CNN tornou-se o primeiro veículo de imprensa a ter acesso a um sistema Patriot em território ucraniano. Na ocasião, autoridades do país europeu revelaram que ele estava praticamente sem interceptadores.
Em agosto, Zelensky contou à CNN que passava seus dias em “milhões” de telefonemas com aliados, tentando negociar o fornecimento de mais mísseis para o sistema Patriot.
Na época, ele afirmou que a Ucrânia possuía apenas um décimo da quantidade de interceptadores de que precisava urgentemente.
Um mês depois, o presidente ucraniano adotou um tom mais esperançoso, afirmando que o país “receberia uma licença para fabricar mísseis Patriot” dos Estados Unidos.
No entanto, o líder americano, Donald Trump, acabou não revelando se havia concordado com isso, e a licença nunca se concretizou.
Donald Trump e Volodymyr Zelensky em Washington • Alexander Drago/Reuters
As tensões entre os dois presidentes vieram à tona nos últimos dias, em meio a um pedido dos EUA para que as forças ucranianas interrompessem seus ataques a instalações de combustível russas — isso enquanto os russos continuavam a bombardear a infraestrutura energética da Ucrânia.
Em uma entrevista contundente ao Financial Times, Zelensky declarou que só concordaria em suspender os ataques a instalações energéticas na Rússia caso recebesse, “no mínimo”, mais interceptadores Patriot.
Ele acrescentou que, “quando pediu mais sistemas de defesa aérea, a resposta dos americanos foi restringir o serviço Starlink”.
Em uma declaração pública na quarta-feira, ele solicitou, mais uma vez, o envio de mais suprimentos: “O presidente americano dispõe de todas as ferramentas eficazes e necessárias para aproximar a paz por meio da força, da justiça e da pressão sobre o agressor”.
“Pedimos pacotes adicionais de interceptadores de mísseis Patriot para a Ucrânia”, adicionou.
Às vésperas das eleições de meio de mandato nos EUA, Trump tem atribuído, cada vez mais, a alta global nos preços do diesel à guerra entre Ucrânia e Rússia — embora o conflito envolvendo o Irã desempenhe um papel mais significativo nos picos de preços dos combustíveis.
No início desta semana, o governo Trump alertou a Ucrânia e seus aliados na Europa de que os EUA poderiam suspender as compras europeias de armamentos americanos, bem como o compartilhamento de inteligência com a Ucrânia, caso Kiev não interrompa seus ataques a instalações energéticas russas em território russo, informaram duas autoridades europeias à CNN.
Os avisos, provenientes do Departamento de Estado e do Pentágono, foram enviados durante o fim de semana a autoridades na Ucrânia e na Europa — incluindo comunicações diretas das forças armadas dos EUA para comandantes ucranianos.
Desde então, Trump ressaltou que os EUA não interromperam o compartilhamento de inteligência com a Ucrânia.
Caso o governo decida suspender as compras europeias de armamentos — realizadas por meio de um mecanismo denominado Purl (Prioritized Ukraine Requirements List) —, isso colocaria em risco futuros envios de interceptadores Patriot, utilizados na defesa contra mísseis balísticos.
*Nick Paton Walsh e Jim Sciutto, da CNN, contribuíram para esta reportagem
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