
A Hydro, controladora da refinaria de alumina Alunorte, abriu uma concorrência para se tornar sócia de um parque eólico e contratar cerca de 120 megawatts-médios (MW médios) de energia, apurou a CNN com fontes a par do assunto. A previsão é que o fornecimento comece em 2029.
Em equivalências energéticas, este montante poderia suprir anualmente cerca de 700 mil residências populares no Brasil. Segundo interlocutores, a Hydro já está em reuniões com os principais players de geração eólica do Brasil.
A contratação deve ser estruturada no modelo de autoprodução, associando a participação acionária no empreendimento a um contrato de fornecimento de longo prazo. Procurada, a Hydro não quis comentar o assunto.
Se o procersso avançar, a Hydro deve adquirir cerca de 30% do capital da empresa titular do parque eólico, em uma estrutura desenhada para atender às novas regras do setor elétrico. Nesse formato, o consumidor participa da sociedade responsável pela usina e destina uma parcela da geração ao próprio consumo.
As negociações envolvem um contrato de compra de energia de longo prazo (conhecido como PPA, na sigla em inglês) com a Hydro Rein. A empresa de energia renovável tem como acionistas a Hydro, com 50,1%, e a gestora australiana Macquarie Asset Management, com 49,9%.
O modelo permite reduzir custos operacionais pela isenção de determinados encargos setoriais, além de dar maior previsibilidade aos gastos com eletricidade e ao planejamento das operações.
As despesas financiadas pelos encargos, porém, continuam a existir. Com a redução da base de pagadores, seu custeio fica concentrado nos demais consumidores que pagam esses encargos, pressionando as contas de luz.
A busca por mais energia acompanha o processo de eletrificação das caldeiras da Alunorte. Segundo fontes ouvidas pela reportagem, o consumo atual da Alunorte utrapassa 800 MW médios e deve aumentar com a conversão de outras caldeiras para o uso de eletricidade.
Em janeiro de 2025, a companhia anunciou a entrada em operação de duas novas caldeiras elétricas para geração de vapor na refinaria. Os equipamentos se somaram a uma primeira unidade elétrica, instalada em 2022, e substituem caldeiras que utilizavam carvão como combustível.
Na época do anúncio, o projeto das duas novas caldeiras recebeu investimento de R$ 318 milhões. Segundo a Hydro, as três unidades elétricas, em conjunto, permitem reduzir as emissões de dióxido de carbono em até 550 mil toneladas por ano.
A Alunorte já possui contratos de fornecimento de longo prazo com a usina solar de Mendubim, no Rio Grande do Norte, e o complexo eólico Ventos de São Zacarias, na divisa entre Pernambuco e Piauí. A nova concorrência ocorre em meio à ampliação da demanda por eletricidade para substituir combustíveis no processo industrial.
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