
Febre entre jovens e influenciadoras, as extensões de cílios proporcionam um olhar bonito e mais longo sem a necessidade do rímel, mas podem se tornar um inimigo da saúde ocular feminina. Ácaros minúsculos, chamados Demodex folliculorum, podem ser encontrados nessa região logo após o procedimento, causando irritação e obstrução das glândulas dos olhos.
O alerta foi feito nesta quarta-feira (30) pela Dra. Débora Cardial em entrevista à CNN Brasil. Segundo ela, o parasita vive dentro dos folículos pilosos da pele humana e pode estar presentes na pele de pessoas saudáveis. A preocupação maior é quando a proliferação excessiva vem associada a inflamação na área dos olhos.
Os sintomas mais comuns que são associados ao parasita são: vermelhidão, coceira, ardência, lacrimejamento, sensação de corpo estranho, ressecamento e irritação da pele das pálpebras.
Também pode ocorrer blefarite, uma inflamação da margem palpebral, além de alterações nas glândulas de Meibômio. Essas glândulas produzem a camada oleosa da lágrima, que ajuda a evitar sua evaporação. Quando ficam obstruídas ou deixam de funcionar adequadamente, podem surgir ou piorar os sintomas de olho seco.Dra. Débora Cardial, dermatologista da clínica Terra Cardial, especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia e membro da Sociedade Europeia de Dermatologia e Venereologia
Estudo apontou riscos à saúde dos olhos
A visão da médica já é apontada em estudos. Uma pesquisa apresentada no último dia 12 de setembro, no 44° Congresso da Sociedade Europeia de Cirurgiões de Catarata e Refração (ESCRS), descobriu que a maioria das mulheres que utilizam extensões mantinham o bicho nos cílios.
A pesquisa analisou 345 participantes entre 16 e 28 anos. Quase um quarto delas já tinham feito extensões. Mais da metade (58%) fazia a cada três a quatro semanas.
Quase metade das que usaram extensões de cílios (47,6%) diziam sentir desconforto, vermelhidão, rasgamento ou coceira após o procedimento.
O estudo também examinou amostras de cílios de 25 mulheres que usavam extensões regulamente. Em todas, exceto uma, encontraram os ácaros.
Além disso, entre as mulheres que fizeram o procedimento pelo menos dez vezes, 85% apresentavam sinais de disfunção das glândulas de Meibômio – essencial para a lubrificação ocular.
O relatório foi apresentado pela Dra. Tetiana Zhmud, do Departamento de Oftalmologia da Universidade Médica Memorial Nacional Pirogov, Vinnytsia, Ucrânia.
Nossas descobertas não sugerem que as pessoas devam evitar completamente extensões de cílios. No entanto, eles destacam a importância da higiene adequada das pálpebras, da conscientização dos sintomas e da avaliação oportuna quando surgem sintomas.Dra. Tetiana Zhmud, do Departamento de Oftalmologia da Universidade Médica Memorial Nacional Pirogov, Vinnytsia, Ucrânia
Quais os principais sintomas e riscos?
Ainda segundo a Dr. Débora Cardial, uma leve sensação de irritação logo após o procedimento pode acontecer, mas deve ser passageira. Sintomas persistentes ou que pioram com o tempo devem ser vistos como um alerta.
“Dor, secreção, sensibilidade à luz ou alteração da visão não devem ser considerados reações normais às extensões de cílios. Nesses casos, é importante interromper o uso e procurar avaliação médica, de preferência com um oftalmologista quando houver sintomas oculares”, reforça a dermatologista.
“Quero continuar com a extensão, qual cuidado devo tomar?”
Para a dermatologista, a cola utilizada na aplicação é um dos pontos de atenção, em conjunto com a técnica e a higiene dos materiais.
“Muitos produtos usados em extensões contêm cianoacrilatos, substâncias que podem causar irritação e, em algumas pessoas, dermatite de contato alérgica. Além disso, os vapores liberados durante a aplicação podem irritar a superfície ocular”, alerta.
Segundo Cabral, é necessário se atentar ao escolher o profissional que aplicará a extensão, pois ele precisa utilizar materiais de qualidade. Além disso, é necessário manter uma higiene regular na região e não ignorar os sinais de alerta.
“Por isso, é importante combinar uma boa higiene com a escolha de um profissional capacitado, o uso de materiais adequados e cuidados rigorosos durante a aplicação e a manutenção”, orienta a médica.
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