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Análise: Empresas usam IA, mas maioria não sabe dimensionar seus efeitos

A inteligência artificial está presente em quase todas as empresas ouvidas pelo Banco Central no mês passado na pesquisa Firmus do 3º trimestre. Apesar da ampla adoção da tecnologia, o levantamento mostra que quando a pergunta é “quanto a IA mudou os custos do negócio”, a maioria ainda não tem uma estimativa.

Ou seja, a inteligência artificial já entrou na rotina, mas medir seu resultado continua sendo um desafio. É o que mostra o levantamento da autarquia que ouviu 379 empresas não financeiras entre 10 e 28 de agosto.

O relatório não detalha a distribuição das participantes por setor, mas revela que 96,3% relatam algum uso de IA. Já 63,6% não estimam o efeito sobre o custo médio para produzir um bem, vender uma mercadoria ou prestar um serviço. Uma parcela semelhante, de 63,9%, não sabe dimensionar o impacto sobre o volume produzido.

Pense em uma equipe que passou a preparar relatórios em menos tempo. A tarefa ficou mais rápida, mas o que aconteceu com as horas liberadas? Foi possível atender mais clientes, melhorar o serviço ou reduzir despesas? É nessa passagem da tarefa para o negócio que o ganho precisa aparecer.

Porém, o fato de não ter essa conta não significa que a IA seja inútil ou que o investimento tenha sido desperdiçado. Mas fica difícil saber o tamanho do benefício ou identificar onde a ferramenta ainda precisa melhorar.

O estágio de adoção oferece uma pista: 36,7% das participantes usam IA de forma experimental, informal ou não estruturada. Só 5,5% relatam integração à maior parte dos processos. Uma ferramenta usada pontualmente e uma operação reorganizada em torno da tecnologia representam situações bem diferentes.

Há outro dado que merece atenção. Entre todas as empresas ouvidas, 10,3% estimam aumento superior a 1% no custo médio de produção com IA; 7,9% apontam redução acima de 1%. Como a maioria não tem estimativa, isso não permite concluir que a tecnologia esteja encarecendo a atividade empresarial.

Também existe uma conta de entrada. Licenças, treinamento e integração de sistemas podem gerar despesas antes de aparecer a economia. A pesquisa considera os custos de adoção, mas não identifica por que algumas empresas relatam aumento.

Os benefícios já aparecem para parte das participantes: 21,6% estimam expansão superior a 1% no volume produzido com IA. Ainda assim, produzir mais não basta para comprovar maior produtividade; é preciso saber quanto recurso foi necessário para chegar lá.

Para gestores e investidores, a pergunta passa a ser quais projetos merecem mais dinheiro e quais precisam de ajustes. Sem medir os efeitos, essa escolha fica mais difícil. O desafio revelado pelo Firmus é transformar a presença da IA em uma melhora que a empresa consiga demonstrar.

Fonte: Matéria Original

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