
O presidente Lula avalia indicar o governador do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal antes mesmo das eleições.
A ideia já chegou à mesa do presidente e à cúpula da campanha à reeleição, e foi bem vista por permitir que um nome técnico como o de Couto, com carreira na magistratura, possa gerar três efeitos.
Primeiro, distanciar Lula do desgaste na Corte provocado pela exposição das relações de Alexandre de Moraes e de Daniel Vorcaro.
Segundo, dar ao presidente um discurso eleitoral de combate à corrupção, dado o trabalho que Couto vem fazendo como governador após o afastamento da cúpula do estado por suspeitas de corrupção.
Terceiro, ampliar o potencial de votos de Lula no Rio de Janeiro, segundo maior colégio eleitoral do país. Isso porque pesquisas em mãos da campanha petista apontam que Couto tem taxa de aprovação superior a 80% no estado e Lula, ao indicá-lo ao STF, se associaria a ele.
Isso em um momento em que a disputa de Lula com Flavio Bolsonaro no segundo turno está empatada e imprevisível e o mesmo quadro presidencial ocorre no Rio. Na estadual, o candidato de Lula no estado a governador é Eduardo Paes (PSD), que está bem posicionado, mas assiste ao bolsonarista Douglas Ruas (PL) crescer nas pesquisas.
Ricardo Couto sabe da movimentação. Ele virou governador por ser presidente do Tribunal de Justiça do Rio e, portanto, o terceiro na linha sucessória. Como o governador, o vice e o presidente da Assembleia Legislativa perderam seus cargos por suspeitas de corrupção, acabou assumindo, e sua gestão é marcada pela defesa da moralidade e pelo combate à corrupção.
Uma das principais medidas é a substituição de servidores com suspeitas de ligação com o crime organizado e com a chamada banda podre da política fluminense.
Ele era cotado, inclusive, para assumir um cargo no Superior Tribunal de Justiça, mas agradou de tal forma que a campanha já passa a considerar seu nome para o STF. A ala da Corte próxima a Lula vê com bons olhos o movimento.
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