
Embora o envelhecimento seja um dos principais fatores de risco para o câncer, estudos internacionais e nacionais identificaram um aumento no diagnóstico oncológico entre os mais jovens.
Uma pesquisa publicada no BMJ Oncology, revista voltada para estudos científicos, que analisou dados de 29 tipos de câncer em 204 países e territórios, identificou um crescimento de 79,1% na incidência global de cânceres de início precoce entre 1990 e 2019.
Entre os tumores identificados os que tiveram a maior alta foram: câncer colorretal, tireoide, fígado, rim, pâncreas, endométrio, mama e ovário.
O estudo também analisou informações sobre outros fatores de risco frequentemente associados ao estilo de vida moderno e à infância.
O tabagismo, consumo de álcool, alimentação e falta de atividade físico estão entre as atitudes “não saudáveis” mais tomadas por essa faixa etária. Além disso, a maior parte do público consumia alimentos ultraprocessados e bebidas adoçadas durante a infância.
O câncer continua sendo mais frequente à medida que envelhecemos. O que os estudos vêm mostrando é uma mudança no comportamento epidemiológico de determinados tumores, que estão apresentando aumento de incidência em pessoas mais jovens. É um sinal que merece atenção e investigação científica.Mariana Laloni, diretora médica técnica da Oncoclínicas&Co
No cenário nacional, a pesquisa “Incidência e Mortalidade por Câncer em Adultos Jovens“, realizada pelo Inca (Instituto Nacional do Câncer) em duas regiões do estado de São Paulo, trouxe o maior destaque para tumores de mama, colo do útero e colorretal entre os tipos de câncer que mais atingem a população de 20 a 39 anos.
Em São Paulo e em Barretos, o câncer aparece como primeiro (20,7%) e segundo lugar (17,4%) na morte entre mulheres. Para os homens, o diagnóstico ocupa a quarta colocação em ambas as localidades (5,3% em São Paulo e 5,8% em Barretos).
Desafio para identificar os sintomas
Ainda segundo Mariana Loroni, a percepção de risco é um dos principais problemas entre os jovens. Pela doença ser menos comum nessa faixa etária, sintomas podem ser ignorados ou até atribuídos a casos menos graves.
“O problema está quando uma alteração persiste, piora ou não encontra uma explicação adequada e continua sendo atribuída automaticamente a algo benigno. O câncer é menos frequente em pessoas jovens, mas não é impossível. Por isso, a persistência de um sinal ou sintoma é um elemento que deve levar à reavaliação e, quando necessário, à investigação complementar”, afirma a médica.
O que fazer para se prevenir do câncer?
Segundo o Ministério da Saúde, para se prevenir de tumores, principalmente o de pulmão, laringe, faringe e esôfago, o ideal é não fumar.
Além disso, outras práticas como: alimentação saudável, peso corporal adequado, atividades físicas e evitar exposição ao sol quente, auxiliam em uma vida melhor e reduz os riscos do câncer.
Quando olhado para tumores de fígado, colo de útero e ovário, o ideal é se vacinar contra a Hepatite B e contra o HPV. Exames preventivos ginecológicos também são importantes para um diagnóstico inicial de câncer de mama, por exemplo, que auxiliam nas chances de cura da doença.
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