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Vereador autor de 7 leis de proteção à mulher diz que retorno de Morão à Câmara “constrange e envergonha”

Uberdan Cardoso afirmou que o processo de cassação do vereador deve garantir o direito de defesa e que a Câmara precisa apresentar uma resposta à sociedade.

O vereador Uberdan Cardoso (PT), autor de sete projetos que se tornaram leis de proteção à mulher, afirmou em entrevista ao Blog do Valente, após a sessão ordinária da Câmara de Santo Antônio de Jesus na noite desta segunda-feira (10), que o retorno do vereador Edivan de Jesus Santos, o Morão (União Brasil), ao Legislativo “constrange e envergonha”.

Morão retornou à Câmara após mais de nove meses afastado. Ele havia sido preso duas vezes devido a acusações de crimes de violência contra a mulher envolvendo a mesma companheira.

“Acho que a gente não pode pecar pela omissão, não pode pecar pelo silêncio, porque o silêncio constrange — e mais do que constranger, envergonha. Eu tenho sete projetos apresentados dos últimos anos que viraram leis de proteção à mulher; sete projetos de combate à violência contra a mulher — da violência obstétrica passando pelo mapeamento de casos de violência, saúde mental feminina e absorventes higiênicos. Ou seja, uma série de projetos. Então, eu tenho autoridade para falar do alto de quem tem um mandato em defesa da proteção aos direitos da mulher e do combate à violência.”, declarou o vereador.

Tramita na Câmara de Santo Antônio de Jesus um processo de cassação do mandato de Morão. De acordo com Uberdan, o processo está sob segredo de justiça. O vereador afirmou que os integrantes da comissão responsável pela análise precisam apresentar à sociedade os resultados, garantindo o direito de defesa de Morão.

Para Uberdan, a situação não deve ser tratada como uma forma de blindagem do vereador, porque, segundo o professor, a presença de Morão no cargo “constrange” diante das acusações que envolvem violência contra a mulher.

“Nós sabemos muito bem que está em curso um processo penal. Esse processo penal está sob segredo de justiça porque foi assim que o juiz orientou a presidência da Câmara, o que foi repassado para a comissão. Existe uma comissão formada por três vereadores, e esses vereadores precisam apresentar à sociedade os resultados disso. É um processo penal em curso. A Câmara não é órgão penal, a Câmara não é órgão criminal. Eu estou vereador, não sou juiz. Agora, entendo que existe um espaço entre o que é ético e o que é legal que às vezes não pode ser misturado. Existe um processo no qual vai se avaliar a legalidade e os fatos, garantindo o amplo direito de defesa do vereador. Mas, repito: me constrange conviver com alguém que cometeu uma violência contra a mulher. Ainda mais no espaço público, porque nós não somos, em nenhum momento, aqueles que precisam blindar a si próprios. Como exercemos um mandato, temos que dar uma resposta à sociedade.”, afirmou.

Uberdan afirmou ainda que espera que o processo siga os procedimentos legais, sem interferências, e que o vereador tenha direito à defesa e ao contraditório. Ao mesmo tempo, disse considerar que a presença de Morão na Câmara gera desconforto no ambiente legislativo.

“Não estou aqui para apontar o dedo ou para punir ninguém. Agora, espero que haja um processo legal do ponto de vista jurídico, em que o vereador tenha amplo direito de defesa e ao contraditório, mas entendo que o ambiente legislativo não se torna saudável nem para o legislador, nem para a sociedade, com a presença de alguém que cometeu um crime contra a mulher. Isso, repito, constrange. Mas tão constrangedor quanto o convívio é o silêncio, porque isso traz a marca e a capa da vergonha, e por essa vergonha eu não posso e nem vou passar.”, disse.

Por Kaylan Anibal / 11/08/2026 às 07:25

Foto: Cláudio Lima / Câmara de SAJ

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