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Escolas de medicina já estão inseridas no SUS, dizem alunos

Mesmo sem terem sido afetados pela mudança dos cursos de medicina, os atuais alunos debatem o assunto em redes sociais e faculdades.

Os cursos terão dois anos de trabalho compulsório no SUS a partir de 2015, depois dos atuais seis anos de curso.

"Sou totalmente contra essa mudança", argumenta Daniele Battaglini, aluna do 4º ano da Furb (Universidade Regional de Blumenau), no interior de SC, e presidente do centro acadêmico.

"Já temos um terço do curso no regime de internato, com aulas práticas, em que atendemos pacientes do SUS com supervisão de professores. É o treinamento final para ser médico", afirma.

Hoje, os estudantes têm quatro anos de disciplina e mais dois anos de "internato" nos hospitais-escola, antes de receberem o diploma.

Depois, ainda seguem para a residência –as especializações, que podem durar até quatro anos, feitas em hospitais públicos ou privados.

Para Daniele, a obrigação de os alunos trabalharem para o governo por dois anos "fere o princípio de liberdade da Constituição".

O argumento do governo é que os dois anos humanizariam a saúde pública, já que colocariam todos os estudantes em contato com o SUS.

Familia abastada

Conforme levantamento feito pela Folha, os dois anos de internato nos hospitais-escola são, para a maioria dos estudantes de medicina, o único contato com o SUS.

A maioria deles vem de famílias abastadas. Nas universidades estaduais paulistas, por exemplo, a participação em medicina de quem veio de escola pública é bem inferior à média geral das instituições.

Na Unesp, apenas 2% cursaram colégio público, contra 40% no geral (veja quadro).

Na USP, 20% deles têm renda familiar superior a R$ 20 mil. Não há negros na turma ingressante em 2013.

"Os estudantes de medicina já estão inseridos no SUS", avalia Juliana Campanha, 29, do 5º ano na Unesp em Botucatu, interior de SP. "Eu atendo pelo SUS no hospital-escola da Unesp desde o 3º ano."

Roger Santana de Araújo, 19, do 2º ano de medicina da USP, considera que os alunos já contribuem para a sociedade via hospitais-escola.

"Só a medicina atende a sociedade de graça. Isso não acontece no curso de direito, por exemplo. Mas na medicina já atendemos pelo SUS nos hospitais-escola", diz.

Para ele, o problema do SUS é "mais fundo", como falta de recursos e falta de investimentos. "Se o SUS tivesse boas condições, os médicos iriam para o sistema público por vontade própria, como acontece no Reino Unido", diz.

Além disso, lembra Roger, o sistema não é composto só por médicos. "O SUS também precisa de enfermeiros, fisioterapeutas e afins."

Editoria de arte/Folhapress
 

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